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Última Actualização
Última Actualização: Segunda, 21 Maio 2012 - 00:00 GMT+00
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| Escrito por Irene Conde | |||
| Sexta, 24 Setembro 2010 07:15 | |||
![]() VELHICE Irene Conde Desde há muitos anos que penso: que futuro será o meu, quando precisar de ajuda física para me manter... ou, simplesmente, quando me sentir só... À medida que vou envelhecendo, essa preocupação vai aumentando... Vou vendo o que acontece àqueles que já chegaram a essa fase... É francamente assustador! Tenho-me dedicado a estudar cada caso dos que me rodeiam, tenho visitado inúmeros estabelecimentos, das mais variadas categorias, tenho auscultado as opiniões das pessoas mais velhas e também das mais jovens... Apenas existe um ponto comum: a velhice é uma tristeza! Verifiquei que existe uma ideia completamente errada das necessidades reais de quem chegou ao patamar da velhice. Velhice... sim, porque verifico que esta palavra é assustadora, talvez porque se associa “Velho” a “Estorvo” a “Lixo” “Incómodo” “Inútil”... Mas nem por isso deixa de ser verdade, pois é disso que se trata... problemas da velhice! Não sou nada adepta de chamar as coisas por nomes dourados nem fugir das realidades por mais duras que sejam, porque a tudo isso se chama simplesmente VIDA! É aqui que tudo faz sentido, porque velhos ou novos... estamos vivos... Se chegamos à velhice, ainda assim estamos vivos... temos que ser tratados como “VIVOS”... Então porquê o tabu da velhice??? Porque se depositam os velhos em arquivos deprimentes??? Porque se arrumam num canto qualquer e se evita a sua companhia, o seu convívio? Tenho o privilégio de conhecer o mundo dos velhos – e digo privilégio porque aprendi a ver a vida de uma forma diferente, graças a essas pessoas que tanto me ensinaram... ![]() Eu sei que as necessidades reais de um idoso nada têm a ver com as dimensões dos espaços... A única coisa que importa verdadeiramente é o amor, o carinho com que são tratados... Não com condescendência, não com comiseração, nem tão pouco com hipocrisia... Um velho é um ser humano vivo, com muito mais sabedoria do que os mais novos... A sua inteligência não está morta, apenas o corpo perdeu algumas faculdades e, em alguns casos, mesmo a memória, apenas porque a vida foi demasiado dura e má para ser recordada... Mas em todos os casos é simples e gratificante cuidar deles... e em todos, sem excepção, vi a sua gratidão... Eu não quero estar só e também não quero estar num “Arquivo” de seres humanos, olhando todo o dia para os rostos tristes e pardacentos de quem espera o fim! Olhando em volta e ver ali concentradas num espaço fechado umas dezenas de pessoas, todas com dificuldades várias, que me façam sentir com muito mais intensidade as minhas próprias limitações físicas! Por todas estas razões, defendo que se é impossível ficar entregues aos familiares por razões impostas pelos empregos ou pelas dimensões reduzidas do lar familiar, se devem criar, na medida do possível, ambientes caseiros de lotação reduzida (NUNCA COM MAIS DE DEZ PESSOAS), para receber esses velhos e cuidar do seu dia a dia de forma humana e completamente normal, permitindo que não tenham horários forçados ou quaisquer imposições de regras que alterem os seus hábitos ou gostos pessoais, transformando o seu dia a dia num sacrifício tremendo e desumano... Não se chega àquela fase da vida em que podemos fazer tudo o que gostamos para depois nos obrigarem a fazer o que detestamos! Conheço um espaço, onde: as pessoas podem ser tratadas com dignidade; podem estar perfeitamente à vontade sem serem contrariados nos seus hábitos; podem conviver com vizinhança... familiares e amigos; podem passear... ir dançar e ao cinema; podem ocupar-se de tarefas que gostem; ou simplesmente estar tranquilos gozando de um bonito espaço. E ainda: Usufruir de todas as condições necessárias para a sua saúde e bem estar (Médico... enfermeira... fisioterapia... massagem e medicinas naturais... etc). Fica o convite para quem quiser fazer a experiência e a promessa de que certamente não se arrependerá!!!
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