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Última Actualização
Última Actualização: Segunda, 21 Maio 2012 - 00:00 GMT+00
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| Escrito por Sara Santos | |||
![]() Atitudes face à deficiência mental e as Tecnologias da Informação e Comunicação Sara Santos Na opinião de autoridades em Antropologia, podem ser observados basicamente dois tipos de atitudes para com as pessoas com deficiência: uma é de aceitação, tolerância, apoio e assimilação, outra de rejeição, menosprezo, destruição e indiferença. Existem pessoas que simplesmente ignoram, outras que apoiam, tratam e dedicam a sua vida a este tipo de pessoas com necessidades especiais. Há também, ainda, aquelas que consideram os deficientes “seres estranhos” que não deveriam existir. Obviamente que muita coisa poderia ser feita para que os deficientes mentais deixassem de ser vistos como “maluquinhos” ou “coitadinhos”, inúteis para a sociedade, e começassem a ser tratados como seres humanos com direitos. Talvez uma das respostas possíveis esteja nas TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação. Trabalho todos os dias com portadores de deficiência mental utilizando estas tecnologias e, tanto pela reacção deles, como pelo contacto com pais, técnicos e professores, julgo que cada vez será mais importante que se perceba o enorme contributo que esta ciência poderá ter no futuro das sociedades. Convém esclarecer que algumas pessoas com deficiência mental possuem uma notável clareza de espírito e inteligência. Existe muita falta de informação sobre o tema e é necessário que comece a perceber-se que, através de um computador, um deficiente mental pode trabalhar, através de um sintetizador de voz pode comunicar, assim como, através de um brinquedo adaptado, uma criança pode brincar. Não se trata de uma descoberta, como a cura para uma doença, trata-se de estender a ciência que temos às pessoas que têm necessidades especiais. Vários países o fazem já, incluindo Portugal, que é pioneiro no desenho de soluções de inclusão digital que abrangem mais de 90% da população com deficiência. Antes mais, porém, há que promover a inclusão social – só depois a inclusão digital. As TIC proporcionam quatro tipos de respostas: • são sistemas auxiliares para a comunicação • são ferramentas para o controlo do ambiente • são métodos de aprendizagem • são meios de inserção no mundo do trabalho. Quanto ao primeiro ponto, proporcionam meios de comunicação, que podem fazer a diferença entre uma pessoa com deficiência mental poder expressar que tem sede ou ficar à espera que alguém se lembre de lhe dar água. Pode ajudar a sociedade a compreender por testemunho directo, ao invés de tentar avaliar pelo que se aprende nos livros. O segundo ponto fornece meios, como por exemplo tomadas de controlo por infravermelhos, que permitem ao deficiente controlar portas, electrodomésticos e luzes, por forma a ser autónomo e independente. As TIC são de um valor incalculável como instrumento de aprendizagem. Tenho testemunhado inúmeros casos de jovens que aprendem através destes auxiliares o que não conseguiriam sem eles e todos demonstram uma extraordinária motivação para estudar. Finalmente, estes meios podem contribuir para o acesso ao mercado de trabalho, no que já muitas empresas e instituições estão a apostar, como a McDonald’s, que emprega pessoas com Trissomia 21, bem como a Câmara Municipal do Funchal, que tem nos seus serviços de atendimento ao munícipe dois funcionários em cadeira de rodas, ambos com cursos superiores concluídos depois de assumidos esses postos de trabalho, para citar apenas dois exemplos. Permanece o problema da maior parte das empresas desconhecer a existência destas tecnologias ou, conhecendo-as, retrair-se perante os seus custos elevados – sem saber que existem soluções extremamente económicas e mesmo gratuitas. Deve apostar-se, pois, primeiro na informação do público e depois na formação de quadros aptos a aplicarem toda a potencialidade das TIC ao apoio a pessoas com necessidades especiais. De uma forma resumida, as principais atitudes face à Tecnologia e o deficiente mental nos dias de hoje são: falta de informação, desinteresse, desrespeito e o facto de não se acreditar nas capacidades de cada um. ![]()
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