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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Sociedade | |||
| Escrito por Joana Well | |||
| Quinta, 06 Maio 2010 01:10 | |||
![]() ![]() Amor de puta Joana Well
O sexo é pago, sim, mas vou dando o resto que é mais, e dão-me também outro tanto. Amo apenas porque o amor surge, sem querer, sem precisar. Não amo por ausência. Não amo aquele que apareceu; tantos que aparecem! Amo aquele que se encaixou, que despertou mais do que todos. Não é um amor residual, de quem está só. É um amor puro de quem era forte, estava sólida, sentia-se realizada, enquanto mulher e enquanto pessoa. É algo que surge porque surge, porque é o que é; não porque fazia falta. É uma dádiva a um entre mil; nunca a um que aparece, por acaso, quando "preciso". É o que é apenas porque é e, por isso, não queremos que seja quando é. Amor de puta, enquanto mulher sólida e equilibrada, é quase uma utopia. Para algumas, implica a tentativa de fuga e rejeição. Para as corajosas, implica dor ou mudança. Implica sempre introspecção doce e dolorosa. Eu? "Been there, done that". Ouch!!! Dedico-me à fuga. ![]() depois de mil "alguéns" ama alguém Claro que uma mulher que se prostitui também se apaixona. Que pergunta! Aliás, sempre se soube que o amor tem essa característica, a ironia e, se por todo o lado vai dando um ar de sua graça, nos lados a que não é chamado, quando se torna completamente inconveniente, quando tem nódoas de impossibilidade, dá um furacão de sua graça. Depois? Olhamos para ele, perfeita criatura, e perguntamos-lhe se, por acaso, não dará para guardar para mais tarde? Ri-se e, duas gargalhadas depois, instala-se na primeira fila e contempla entusiasmado. Claro que não se comove, segue de olhar atento, faminto de angústia apaixonada, o amante que agora se entrega ao descontrole cardíaco com que se confessa perdido e que, de vontade racional ajoelhada, (se) tenta convencer que sim, que é possível, que pode e conseguirá aceitar a partilha física da mulher amada, que é só a parte física, que os afectos são dele e que, vendo assim, se se concentrar muito nisso, até pode concluir que é o único que toca, verdadeiramente, a mulher querida. Vai tentar abstrair-se, não atribuir peso ou importância, ela é ela e ele ama e isso é o que realmente importa. Depois... talvez seja na primeira chamada não atendida. Que estará ela a fazer? E a imagem assalta, furiosa, nítida, com cheiro e som. ![]() Ciúme. Dor. As perguntas rodopiam na cabeça. Quer saber. Não quer saber. Quer. Não quer. Ela chega ao fim da tarde. Um "como-foi-o-teu-dia-querida-?" é agora um drama. Sai disso, sai disso, sai disso. Não posso. Não posso. Não posso. Não quero. Não quero. Não quero. Não importa, nada me interessa, só tu. Não importa, nenhum me interessa, só tu. O amor cresce bem alimentado de afecto inchado de intensidade dramática, a carga emocional bem densa, tão típica dos amantes que se têm que agarrar com muita força. Ah, belo amor, diz-me, quanta pancada aguentas? Quantos corpos, quantos quartos alheios sugeridos à tua imaginação? Quantos corpos reais, surgidos por acidente, perante ti como amigos e familiares, já conhecem a mulher amada? E as dúvidas... Algum dia? Demora muito? Chegaremos lá? Voltará atrás? No meio de tantos, poderá conhecer um melhor? E o medo, o medo que nos descubram, que chegue a ouvidos alheios? Por isso, se ficares aí bem quietinho, senhor amor, não sou eu quem te vai buscar, não devo, não posso, não tenho promessas para fazer nem direcções para mostrar; nada, mesmo nada na mão que poderia estender. Posso, mas não devo, era tremendamente injusto. Se vieres sozinho, poupa-me a consciência o saber que tais coisas de tão grande vontade alheia a nós, não se permitem – mesmo que eu peça – guardarem-se para mais tarde, dominam o aqui e agora. ![]() *** ARTIGOS RELACIONADOS:
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