No yoga, a vida e a consciência são chamados “prakriti” e “purusha”, no tantra “shakti” e “shiva”, no hatha yoga são conhecidos por “ida” e “pingala”, ou seja, as “nadis” ou canais por onde passa a energia vital, o “prãna”. Existem 72000 “nadis” e são subordinadas à “sushuma nadi”, que é o canal espiritual situado na corda da espinal medula, começa no “Mooladhara chakra” na base da coluna, junto á zona pélvica e termina no “Sahasrara” no topo da cabeça. “Pingala” emana da direita do “mooladhara chakra” e passa no lado oposto à “ida” terminando no lado direito do “ajna chakra” (entre as sobrancelhas). “Ida” e “pingala” representam as duas energias opostas que fluem dentro de nós. “Ida” é passiva, feminina, é a “nadi” lunar; “pingala” é activa, masculina, a “nadi” solar. Operam alternadamente.
As energias ou shaktis existentes em cada um de nós encontram-se normalmente em desequilíbrio, fruto de uma vida agitada e pouco regrada. Ouve-se cada vez mais falar de stress, ou seja, má circulação de prãna. O stress é a nossa resposta a uma situação e não a situação em si. Não é, por exemplo, o excesso de trabalho, ou a criança que chora, mas a forma como encaramos esse acontecimento. Um yogi encara todas as situações com calma e tranquilidade. A sua mente não se agita, o prãna não acelera. Patañjali defende que é necessário controlar a mente, mas os autores do hatha yoga discordam, dizendo que poucos são os que conseguem controlar a mente em todas as circunstâncias. Ignorem a mente, dizem estes e pratiquem prãnãyãma. O prãnãyãma é o melhor purificador da mente. Porém, é necessário um mestre experiente para conduzir o aspirante neste processo, pois provoca alterações no organismo para as quais este pode não estar preparado. Gera calor, altera a frequência cardíaca, acorda partes do cérebro até então dormentes e modifica as ondas cerebrais.
Assim, para preparar o sãdhaka para o prãnãyãma, o hatha yoga insiste em seis técnicas de purificação, as “Shatkarmas”:
- Neti - limpeza das passagens nasais;
- Dhauti - limpeza do estômago;
- Nauli -massagem abdominal pela contracção dos músculos rectos abdominais
- Basti - limpeza dos intestinos
- Trataka - limpeza dos olhos através da concentração, focando intensamente um símbolo/ponto/objecto.
- Kapalbhati - purificação da parte frontal do cérebro.
Este processo de limpeza purifica todo o organismo, remove as impurezas, liberta as “nadis” e toda a energia bloqueada. Este, é o processo mais importante no yoga, que precede o despertar da Kundalini, a energia espiritual que permanece adormecida na base da coluna vertebral. Só um “Guru” ou pode transmitir e orientar um estudante nestas técnicas, pois quando mal aplicadas podem provocar lesões graves a quem as praticar.
Segundo Swami Swatmarama, o grande yogi indiano que compilou os textos ”Hatha Yoga Pradipika”, um dos mais antigos sobre esta matéria, o hatha yoga não se esgota no “shatkarma”, depois deste vêm os ãsanas, prãnãyãma, mudras e bandhas. O hatha yoga deve preceder o “raja Yoga” de Patañjali, é a preparação para este. Swatmarama diz que primeiro há que purificar o corpo removendo todas as impurezas para que o prãna circule livremente, acalmando a mente e predispondo-a para a meditação. Gradualmente, passa-se para estágios mais avançados – pratyãhãra, controlo dos sentidos, a mente torna-se pura e os desejos do mundo físico são aniquilados; dhãranã, concentração absoluta num único assunto, a mente está calma e controlada, dhyãna, meditação. Samãdhi o culminar da meditação.
Os yoga-sutras de Patañjali, ou “Raja Yoga”, é um entre os quatro ramos do yoga e é considerado o caminho soberano para a união com o divino, lida essencialmente com a mente e dá as ferramentas necessárias para o sãdhaka atingir a iluminação, libertando-se da ignorância em que vive. São 196 aforismos divididos em quatro capítulos. O primeiro “Samãdhi -pãda” lida com a teoria do yoga. O segundo “ Sadhana-pãda”, com toda a prática espiritual. O terceiro “Vibhuti-pãda” fala da disciplina interna e dos “siddhis” (poderes) que o yogi adquire quando atinge “Samãdhi”. O quarto e último capítulo, “Kaivalya-pãda”, é sobre o atingir da iluminação, o libertar das amarras do “karma”.
De acordo com Patañjali, a mente (Chitta) divide-se em três aspectos: manas, buddhi e ahamkara. Manas é a responsável pelas impressões do mundo exterior, comandada pelos sentidos. Buddhi é a inteligência. Ahamkara é o ego, o sentido do eu.
Patañjali diz que o verdadeiro “Eu” é “Atman”, o nosso ego, que nos identifica com os nossos sentidos, com os pensamentos. O nosso “eu”, está para além da consciência, é puro e livre. Primeiro, temos de conhecer a mente e as suas modificações, para saber como a controlar. Esta coloca inúmeras barreiras entre o estudante e o seu objectivo. Mas essa mesma mente, quando refinada, torna-se num poderoso instrumento para atingir o objectivo final. Os yoga-sutras ensinam não apenas a filosofia, mas um método para a pôr em prática. O aspirante adquire confiança em si próprio e cultiva a concentração que lhe permite remover os obstáculos que impedem o conhecimento de “Atman”. É muito importante que o “sãdhaka” seja pontual e persistente na sua “Sadhana” e gradualmente vá aumentando as suas práticas – a meditação surgirá naturalmente.
Patañjali descreve as regras e práticas que se devem observar para remover impurezas da mente.
São conhecidas como “Asthanga Yoga”, os oito degraus de yoga:- Yama;
- Niyamas;
- Ãsanas;
- Prãnãyãma;
- Pratyãhãra;
- Dhãranã;
- Dhyãna;
- Samãdhi