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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Reportagem | |||
| Escrito por Pedro Laranjeira | |||
| Sábado, 29 Maio 2010 21:20 | |||
![]() ![]() ZECA AFONSO recordado no Porto tarde de canção e poesia no Coliseu 80 anos teria hoje o filho da madrugada se a morte lhe não tivesse saído à rua… por Pedro Laranjeira ![]()
A organização partiu de Avelino Tavares e da sua MC/Mundo da Canção, de parceria com a Associação José Afonso (AJA), Núcleo do Norte, dirigido por Paulo Esperança, que fez a apresentação no Coliseu. O evento inseriu-se no “Projecto 80 Anos do Zeca”, lançado em conferência de imprensa no dia 2 de Agosto do ano findo, na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e subscrito por mais de oitenta entidades colectivas de Portugal e da Galiza, tem como objectivo celebrar a obra e o exemplo de cidadania de José Afonso. ![]() Entre 2 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2010 – tempo que marca os oitenta anos de nascimento do poeta, andarilho e cantor têm vindo a ser organizadas uma série de iniciativas nas diversas áreas da expressão artística e cultural. No dia 25 de Maio de 1983 e no Coliseu do Porto, José Afonso, numa organização do MC/Mundo da Canção/Avelino Tavares, deu o seu último concerto público, já eivado da doença que o levaria no dia 23 de Fevereiro de 1987. O “PROJECTO 80 Anos de Zeca” pretende, durante o ano de celebração, evocar este último concerto, que aconteceu há 25 anos.Hoje, portanto, durante mais de três horas, o Coliseu fechou a Passos Manuel ao trânsito e fez palco da rua, numa evocação que começou com a Escola a Ponte, de Vila das Aves. Perto de 30 crianças e adolescentes souberam dar à música de Zeca Afonso a frescura da juventude a despertar para as primeiras consciências, mesclada com a emoção de quem compreende as letras e as lutas de outrora. Foi um momento precioso, uma surpresa rara – um testemunho inédito nos cantos de intervenção. ![]() Francisco Fanhais (quem não recorda o Padre Fanhais?), que actualmente dirige a Associação José Afonso, lá esteve também e protagonizou, depois de actuar, um fenómeno bem moderno nos palcos de juventude, que foi o autêntico “assalto” de quem quis guardar para sempre o seu autógrafo… Por ali passaram Ana Afonso e Luís Beirão, que deram voz à poesia, Gabriela Marques e José Luís Guimarães, ajudados pela flauta e pela guitarra, Tino Flores, um lutador da geração de que usa o apelido e tem um percurso que vai do Maio de 68 ao activismo cultural de luta e à composição de novas músicas. Depois, vieram Ana Ribeiro e Helena Sarmento, que integram o grupo AJAforça, tal como Gabriela Marques e José Luís Guimarães, tudo gente do Núcleo do Norte da AJA. Da Galiza, veio Xico de Carinho, que conheceu o Zeca desde os tempos de Paris e o acompanhou em três países, como o acompanha na recordação e divulgação desde que a morte lhe levou o amigo. ![]() Outro momento alto foi Samuel, antigo companheiro e autor cantado também pelo Zeca, uma presença permanente nas sessões de Canto Livre que se realizavam um pouco por todo o país. ![]() Já a festa ia adiantada, surgiu do fundo a rua, passo a passo, calçada acima, o som de uma gaita de fole que aos poucos abrangeu todos… e chegou Tino Baz, um galego que considera Zeca Afonso uma referência da música do Século XX e mostrou porquê, em acordes de gaia e sanfona. Não só cantou, mas falou também, com eloquência. ![]() Pena foi a ausência inesperada de Manuel Freire, que a gripe amarrou à cama longe da promessa de que ali estaria, mas que desta vez só nos chegou através de uma mensagem de solidariedade, essa solidariedade que se mantém há 40 anos e que recordo particularmente de uma noite do Coliseu (este o de Lisboa), três semanas antes do 25 de Abril, onde ele e o Zeca, entre muitos outros, incluindo Adriano Correia de Oliveira, Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria e Fausto, rodeados pelo perigo dos agentes da polícia política do regime, souberam elevar a voz acima do medo e instilar na consciência de milhares de portugueses que ali estavam a mensagem do alerta, o grito da revolta, naquela noite memorável em que nasceu para a História o significado que jamais o “Grândola Vila Morena” deixará de ter nas linhas da revolução e ali se misturou com o Hino Nacional, na mais extraordinária manifestação espontânea a que assisti em toda a minha vida – pena também que não se tivesse aproveitado para contar ali essa história, que fará parte dos anais com que Portugal descreverá ao futuro as suas mudanças no passado e teria sido a ponte perfeita para o epílogo com que a tarde acabou, um pouco à semelhança do que há quase 40 anos, dias antes da revolução, acontecera no outro Coliseu, ou seja: todos juntos, todos unidos pelos braços, pelos corpos e pelos sonhos partilhados… a entoar no palco o “Grândola” que faz uma página inesquecível da nossa memória colectiva. ![]() 33 anos depois do filho da madrugada ter entregue a luta a estes homens e a estas mulheres, a estes velhos e a estas crianças de hoje, foi assim que terminou uma tarde evocação que encheu a Passos Manuel e mostrou um Coliseu virado para fora, virado para o povo, como o Zeca Afonso sempre foi. ![]() O organizador, Avelino Tavares, com Samuel, Francisco Fanhais, que lidera a Associação José Afonso, e Paulo Esperança, responsáel pelo Núcleo Norte *** ARTIGOS RELACIONADOS:
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