Pesquisa
TRANSLATE - TRADUZIR
online translation is not yet perfect, please allow for some differencesArtigos por Temas
Informações
Livros Free Zone
Leitores por País
![]() | 100% | (11862) |
Quem está aqui agora
Temos 89 visitantes em linhaEstatísticas da Revista
| Total de Leitores: | 11860 |
| Total de páginas lidas: | 140048 |
¨ Início de Publicação ¨
1 de Março de 2010Os 100 Artigos + lidos
- PRÓSTATA sem cirurgia
- NUDISMO vs NATURISMO
- NATURISMO
- CÃES PERIGOSOS
- Prostituição: carta aberta
- 15 Milhões p/NATURISMO
- Encontro de Naturistas
- Encontro de Naturistas
- ESTATUTO EDITORIAL
- CTT: UMA VERGONHA !
- Deficiência mental...
- GRÂNDOLA Vila Morena
- Proposta de Lei Naturista
- Depoimentos fibromiomas
- DISPO-ME EM PÚBLICO
- ÚTERO sem cirurgia
- Charros SIM Tabaco NÃO
- Naturismo no Parlamento
- AMOR DE PUTA
- Reportagem 25 de Abril
- 25 de Abril, há tantos anos
- Prostituição: Porta Saída
- Alentejo centro do mundo
- Professora toda despida
- 15M€ FOR NATURISM
- "ROADY"... jamais
- Eutanásia de «costumes»
- "A Senhora de Ofiúsa"
- Dieta Bandeira Portugal
- Kits Educação Sexual
- Encontra-a-Funda na Pica
- BULLYING SEM SOLUÇÃO
- Votação e Matemática
- ESCLEROSE MÚLTIPLA
- A POESIA É UMA ARMA
- Praia do Barranco
- Os veículos dos políticos
- A CIGARRA E A FORMIGA
- NATURISMO e Políticos
- Nova Lei Naturista
- (IN)definião de liberdade
- Museu Biblioteca
- SÃO APENAS SEIOS
- PRÓSTATA: NOVIDADES
- NUVEM DE FUMO
- OS FILMES DO MOMENTO
- CRUDIVORISMO
- MADEIRA 2010, tragédia
- Educação Sexual Escola
- QUESTÃO DE BITOLA
- PASSEIO NO VOUGUINHA
- Lei Naturista 29/94
- Uma doença escondida
- SIC - Notícia 3.4.2010
- DITADURA da Informação
- COISAS DO PORTUGUÊS
- NÃO, Senhora Ministra !
- CHAMO-ME MARTA...
- ILHA DE GOREIA
- ZECA filho da madrugada
- A guerra e os sem abrigo
- Alhambra Sonho Andaluz
- Educação Sexual
- A ARTE DO NU
- Lei Naturista 53/2010
- ÁGUA, medicina natural
- A Professora Bruna
- Pedro Laranjeira na RTV
- Lei Naturista APROVADA
- CARTA de trás da Serra 1
- SAÚDE, a maior riqueza
- CORAGEM MADEIRA !
- INFO ALTERNATIVA
- Torna-te naquilo que és
- PEC, Bah!...
- CGD: despesas de conta
- IMPOSTURA GLOBAL
- SUBMARINOS
- ELEGIA À MULHER
- PÃO COM ALMA
- Aniversário Pensadores
- Cartoon Raim - Evolução
- FUNCHAL JAZZ 2010
- Demagogia pura e dura
- Projecto de Lei Naturista
- VENTO DE MUENDE
- Frases soltas da crise
- AS MENTIRAS DA NET
- Cimeira de desarmamento
- ROCK IN FÁTIMA
- PENSADORES HÁ 4 ANOS
- PALMA INÁCIO
- Entrevis. Pedro Laranjeira
- Ser Diferente, ser Igual
- Mentiroso, Coxo, Zé Povo
- NA-TURISMO
- MOMENTO DE POESIA
- CARTA de trás da Serra 2
- O Preço dos Combustíveis
- CARTOON by Raim - PEC
Colabore na Free Zone
Se tiver fotos ou videos de algum assunto a que tenha assistido e que ache interessante publicar, envie por email para
Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
|
|
| Escrito por Isabel do Carmo | |||
![]() UMA QUESTÃO DE BITOLA Estou a referir-me aos comboios. E particularmente ao projecto do comboio de alta velocidade que poderá ligar-nos a outros países, se as forças que puxam para trás não o encolherem. Só viajo de comboio. E uma a duas vezes por ano saio para o resto da Europa através do caminho de ferro. Quanto às nossas possibilidades de, por esse caminho, chegarmos aos outros países europeus, a explicação é simples. Daqui para Madrid viaja-se num comboio confortável, mas parte-se daqui às 22h00 de um dia e chega-se a Madrid às 8h00 do dia seguinte. É simpático, mas longo. E chegados a Madrid por aí ficamos. Entre a Espanha e a França e o resto da Europa levanta-se o muro dos Pirinéus. Se quisermos ir pelo sul temos mais umas boas horas até Barcelona, com mudança de comboio e de estação e depois de Barcelona para França outras tantas, com mudança de comboio. Resta-nos então o velho Sud-Expresso. É nesse que eu vou para a “Europa”. E é, aliás, esse o trajecto mais rápido, apesar de tudo. É, em termos de comboio, a nossa porta de partida e chegada. ![]() Um parque temático. Pois bem, aqueles da minha geração que tiverem nostalgia das viagens dos seus verdes anos, podem experimentar, porque está tudo igual. Parte-se de Santa Apolónia às quatro da tarde e chega-se a Paris no dia seguinte, cerca das duas da tarde, não já à gare de Austerlitz mas à de Montparnasse. É a mesma carruagem balançante que atravessa o nosso interior, o mesmo wagon-restaurante, com os candeeiros sobre as mesas e os empregados simpáticos que nos servem. As mesmas casas de banho … Só falta a entrada dos Pides em Vilar Formoso, mas temos a paragem durante a noite em Medina del Campo. Eu gosto daquilo. Instalo-me na cabine como se fosse num escritório, leio, escrevo e durmo durante a noite. O pior é que às sete da manhã temos que pegar nas malas, descer do comboio, atravessar gares, por vezes subir e descer escadas e esperar para nos metermos no TGV que faz Hendaye–Paris. Tudo isto por causa da bitola: as linhas de comboio de Espanha e Portugal têm uma distância diferente dos carris dos franceses, medida que foi tomada após as invasões de Napoleão, não fosse eles vir outra vez e de comboio!... No regresso, a mesma cena, mas desta feita em Irun. Para mim de forma agravada porque venho carregada de livros. Multiplico as mochilas e as rodinhas e juro que nunca mais. E, no entanto, quando chego à “Europa” corro as cidades e as fronteiras sem qualquer paragem, com troços de TGV, alternando com troços sem TGV, sempre sem sobressaltos e em comboios de alta qualidade. Paris–Berlim, Paris–Viena, Paris–Veneza, Paris–Roma, Viena–Budapeste. Faço Paris–Bruxelas em uma hora e Paris–Amesterdão em três. Ora bem, quando os estrangeiros entram em Portugal devem ter a sensação que eu tive ao entrar na Roménia, quando fiz o Oriente–Expresso. Sair no comboio a meio da noite, meter-me em carruagens do fim do mundo, com casas de banho do fim do mundo (vá lá que as nossas têm sanitas, embora em mau estado; as deles têm buracos – mais higiénico, mas um pouco incómodo), horários de “llega quando lhega”, estofos poierentos. Muito típico e divertido. Deve ser a mesma sensação que têm os estrangeiros ao entrar na Península Ibérica. É uma espécie de safari, olham para nós como macaquinhos simpáticos e até estranham que os macaquinhos saibam tão bem falar línguas. Deve ser por isso que o comboio vem sempre cheio e esgota os lugares com muita antecedência. Vêm ao parque temático – os países de antigamente. Este é o país que querem? É este o país que querem aqueles que rejeitam o comboio de alta velocidade? Querem que sejamos a Roménia ou a Albânia da ponta ocidental? Ou querem mudar a bitola mas manter os mesmos comboios? Pormos uma grelha à volta do país e vendermos bilhetes podia ter a sua graça se fossemos auto-suficientes. Se produzíssemos o que comemos, se tivéssemos dinheiro para comprar tecnologia. Mas não é assim. Somos dependentes do estrangeiro, estamos integrados na Europa e dentro desta não há fronteiras. O país pequenino e atrasado de Salazar durou quase cinquenta anos e só foi bom para as classes privilegiadas. Quem tiver dúvidas que reveja os documentários do António Barreto sobre o passado. Era um país miserável, de pés descalços, desdentados e analfabetos. Os partos eram uma ameaça de morte e por isso os gritos e as caras de caso do mulherio circundante antecipavam as dores reais. Trabalhar com as mãos era uma vergonha. A esmola uma instituição. As senhoras finas “não precisavam de trabalhar”, mas aprendiam as prendas domésticas “para saber mandar”. A corrupção era a regra, mas havia censura e não havia processos. O país onde se tratavam as senhoras pobres por “tiazinhas” e onde agora as “tias” falam dos “piquenos”. O “antigamente é que era bom” acabou. Mas no entanto há sempre as forças que puxam para trás. Que têm nostalgia do país pequenino, salazarento, bolorento. Que acham que o investimento público deve ser feito nas pequenas e médias empresas, como ele fazia, porque esse era o seu apoio social. Mesmo que elas produzam mal e mau. Só que nessa altura vendia-se obrigatoriamente o mau para as colónias. E agora que já não há o mercado das colónias? Fechamos a porta e consumimos nós. Mas como é que podemos consumir, se tantos não têm dinheiro porque estão desempregados? No entanto, dizem que é necessário “gastar menos”. Já explicaram onde: na Saúde e na educação, nos investimentos públicos em geral. Este é o país da bitola estreita. O país que tem medo de ser invadido. O país de vistas curtas. O país que fala “verdade” a respeito dos outros, mas que omite discreta e sonsamente as suas tristes verdades. O país da depressão. O país que evoca as glórias do passado, de forma provinciana. Esse é o país que não podemos querer e que não podemos deixar para os nossos filhos. Tem uma bitola demasiado curta.
|
Portugal







