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Última Actualização: Terça, 21 Fevereiro 2012 - 09:35 GMT+00
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| Escrito por Guilherme Pereira | |||
| Segunda, 07 Novembro 2011 18:15 | |||
![]() ![]() O POLVO DE CAVACO Guilherme Pereira Nunca vos ocultei a minha total oposição a Cavaco Silva, seja quando foi Primeiro-Ministro, ou agora pela segunda vez Presidente da República. Não se trata de uma aversão de cariz pessoal, mas política. Tentarei explicar as minhas razões. 1. Os governos de Cavaco Cavaco, depois de ganhar a liderança do PSD, acabaria por alçar-se às funções de Chefe do Governo – de muito má memória. Antes de mais, porque se tratou de um executivo que gozava de maioria absoluta na Assembleia da República( AR), o que permitiu a Cavaco fazer gato sapato das oposições, esbanjar em betão e obras faraónicas os dinheiros europeus que chegavam a Portugal a uma média diária de um milhão de contos/dia ( moeda antiga), reprimir brutalmente, nas ruas, várias manifestações legais,( convém recordar as bastonadas contra os estudantes, ou os famigerados “secos e molhados”, polícias agredindo e encharcando com jactos de àgua, no Rossio, em Lisboa, colegas de profissão, a 21 de Abril de 1989) para não falar na mais escandalosa invasão de milhares de boys laranja no aparelho de Estado, aos mais variados níveis da Administração Pública…ou seja: o também famigerado Estado “gordo”, que Cavaco, depois de deixar o Governo, titulou como “O Monstro” que ele próprio tinha criado, em artigo publicado no “Diário de Notícias. Cavaco foi, pois, um cínico fazendo-se de distraído. 2. Casos de polícia Formou Governos com vários ministros que andam hoje com as polícias à perna ( a foto publicada é esclarecedora), como Dias Loureiro, que tutelava a a pasta da Administração Interna (ao meio na foto desses tempos) ou à direita Duarte Lima, líder do grupo parlamentar do PSD, agora a contas com a Justiça brasileira e posteriormente com a portuguesa. Foi o mesmo Dias Loureiro o cérebro de centenas de negociatas iníquas, como o caso BPN ( de que ele era líder) que obrigou o Estado ( no governo Sócrates) a meter os cordões à bolsa para evitar o colapso do nosso sistema financeiro. Oliveira e Costa, seu Secretário de Estado, acabaria a fundar e liderar o Banco Privado Português (BPP), por cuja administração fraudulenta já esteve preso e aguarda julgamento. Recordo que foi Oliveira e Costa que avalizou a compra de alguns milhares de acções do BPP a Cavaco e à sua filha Patrícia, as quais o mesmo Oliveira e Costa venderia menos de uma semana depois pelo triplo do preço pelas quais as tinha vendido. Se isto não é uma vigarice, vou ali e volto já. De todos os Primeiros-Ministros, contando com ele, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates, Cavaco foi o mais despesista, o que mais agravou o desiquilíbrio das contas públicas. São números oficiais que, hoje, não suscitam qualquer controvérsia. 3. Soares travou-lhe o passo Viveu-se, nos seus tempos de governação, o chamado cavaquismo, em que a repressão e a oligarquia partidocrática predominavam. Apesar de tudo, na sua primeira legislatura, não podia queixar-se do então Presidente da República Mário Soares que lhe facilitou a vida, ao contrário da segunda em que Soares o enfrentou ( “ a ditadura da maioria”, expressão emblemática de Soares) patrocinando, inclusivamente, o congresso “Portugal que futuro” ( em que participei), e em cujo discurso final o histórico fundador do PS marcou território e emitiu os mais duros ataques ao cavaquismo, posteriormente agravados com as bem conhecidas “Presidências Abertas”, nas quais Soares saiu à rua com as televisões atrás e, afinal, se conseguiu trazer a lume a velha máxima de que o rei ia nú. Do ponto de vista cultural, as memórias são igualmente tremendas. Foi no seu governo que o próprio afirmou não saber quantos cantos tinham “Os Lusíadas” e a obra “O Evangelho Segundo Cristo” do Nobel Saramago seria proscrito, justamente na altura em que o mesmo Cavaco se vangloriava de não ler os jornais. Cavaco, de resto, não melhorou. Não se lhe conhece uma ideia visionária e arrojada para o país. Campeão cinzento de uma política desarmada de qualquer recorte cultural, Cavaco debita banalidades, vacuidades, faz de conta que ameaça governos, produz discursos ocos e sonâmbulos, não se lhe conhece qualquer acção meritória como Comandante Supremo das Forças Armadas, que também é, e mantém o seu séquito obscuro de incondicionais do PSD, não se sabendo (mas facilmente imaginando) por alma de quem Dias Loureiro, à sucapa, foi um dos mais destacados conselheiros de Passos Coelho quando o ex-líder da JSD se encontrava a fazer consultas para formar governo. 4. Cavaco partidário Estruturalmente bronco ( já aqui escrevi que Cavaco é o bronco de Boliqueime que faz as vezes de presidente), Cavaco, se tudo isto não fosse grave, é um Presidente partidário, de facção, e não de todos os portugueses. Meu, certamente, não é. O presidente do Governo Regional dos Açores Carlos César, por exemplo, não teve papas na língua e acusou Cavaco Silva de ser o chefe de Estado “mais partidário” desde o 25 de Abril.Numa entrevista no programa 'Portugal 2011', na Sic-Notícias, Carlos César afirmou ter uma apreciação crítica do mandato de Cavaco Silva, apesar de lhe reconhecer algumas "virtualidades". "Independentemente dessas virtualidades, não há duvida que o senhor professor Cavaco Silva é, entre todos os Presidentes da República eleitos desde o 25 de Abril, o Presidente mais partidário de sempre". "Todos os outros Presidentes distinguiram-se claramente da sua origem partidária, fizeram até muitas vezes questão de o evidenciar. O senhor Presidente da República actual, nos momentos chave da política nacional, tem tido uma actuação claramente associada ao PSD, que tem beneficiado objectivamente o PSD", afirmou.Carlos César considerou ainda que Cavaco "não é um adepto fervoroso e apaixonado das autonomias regionais" e acusou-o de ter utilizado o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, e a declaração ao País sobre o seu veto, no Verão de 2008, para um "braço de ferro" com o então Governo de José Sócrates. O chefe do Governo Regional açoriano admite ter sido "contribuinte" no conflito que envolveu o Estatuto, na medida em que lidera o partido maioritário que aprovou a sua revisão, mas imputou "toda a dimensão desajustada e desproporcional que lhe foi introduzida e até toda a desconfiança que foi lançada sobre a honorabilidade e o patriotismo dos açorianos" ao actual chefe de Estado. Cavaco, nos últimos tempos, tem feito declarações públicas para que os partidos se entendam nestes tempos de crise, aludindo hipocritamente que estarão a ser ultrapassados os limites dos sacrifícios impostos aos mais desfavorecidos, aos pobres, aos reformados. Tenho muita pena, Exº Senhor Presidente da República Anibal Cavaco Silva, mas não tem a mínima autoridade moral para proferir declarações como essas. Não tenho pena nem medo de lhe dizer agora – visto ser improvável que me mande prender – que fiz parte da Comissão Coordenadora ( formada por 12 companheiros que reuniam madrugadas fora sempre em lugares diferentes) que levou a cabo a organização do bloqueio da ponte 25 de Abril, a 24 de Junho de 1994, que verdadeiramente se constituiu no princípio do fim do polvo cavaquista. Recorra às imagens de todas as TVs, ou veja-as no YOUTUBE, e lá verá um oficial da Marinha a ser arrastado pelas polícias poucos metros à frente dos camiões paralisados, tal como verá o seu furibundo Ministro da Administração Interna Dias Loureiro ( esse, do BPN) a chegar de helicópetro ao tabuleiro da ponte para tentar que as polícias agissem com “mais determinação” (leia-se violência) – havia 150 polícias de choque, de resto varridos à pedrada,mas o saldo final foi a demonstração a todo o país de dois dias de violência e resistência, ao ponto de o seu Ministro dos Transportes, Ferreira do Amaral, ter cedido no aumento de 50% das portagens da ponte 25 de Abril, que já foi paga, segundo contas de vários economistas, pelo menos vinte vezes!... Pois, Senhor Presidente: aquela acção tinha aparentemente SÓ o objectivo de não permitir o aumento das portagens, mas com efeito destinou-se a tirar-lhe o tapete. Por fim: reveja a foto que publico. Vale mais que mil palavras. ![]()
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