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Última Actualização
Última Actualização: Terça, 21 Fevereiro 2012 - 09:35 GMT+00
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| Escrito por Jorge Castro | |||
| Quinta, 04 Novembro 2010 13:12 | |||
![]() ![]() Porque considero que todos os republicanos e democratas, laicos ou não, devem aderir à greve do dia 24 de Novembro… Jorge Castro Porque esta é uma greve política. E – não devendo recear a força e dimensão das palavras – é política porque é dirigida contra o paradigma governamental que está estabelecido em Portugal, onde cada governo instalado no poder não serve o País, nem a Nação, nem o Povo que supostamente representa na sua acção como mediador dos interesses públicos e privados, mas sim como parte interessada em favor dos interesses privados, em absoluto desprezo do interesse público. Não se trata, pois, de uma pequena greve contra uma entidade patronal, determinada e circunscrita – bem pelo contrário, se formos ver muita entidade patronal haverá que está solidária com as reivindicações e palavras de ordem dos grevistas – mas sim uma acção de perspectiva bem mais alargada, muito mais abrangente, bem mais objectiva, cujos imperativos não têm sequer circunscrição temporal, antes se projectando no futuro. Futuro que deixaremos hipotecado aos nossos filhos e aos nossos netos – e quem o diz são os próprios agentes do poder – pela sua má governação, pela sua péssima gestão dos dinheiros públicos, pelo esquema de compadrio e prebendas mais despudorado de que fazem apanágio. E nada tem muito que saber para os fautores da nossa miséria institucional, quando alguma aflição os sacode do marasmo em que se encontram bem instalados: agravamento de impostos, diminuição de prestações sociais, invocação do deus Mercado… que ninguém sabe quem é, que cara tem, que objectivos prossegue (para além daqueles óbvios). Certo é que, reiteradamente, paga o mesmo para os mesmos. E tal se tornou lugar-comum que enforma as consciências, numa anestesia doentia e permanente. Esta greve é pois, porventura, aquela de maior significado político desde o 25 de Abril. É a greve dos cidadãos, daqueles para os quais a defesa da res publica tem um significado, é um mandamento e é, ainda, um objectivo de vida. Não é, na verdade, impunemente, que esta é a vez primeira, também desde o 25 de Abril, que as duas centrais sindicais nacionais concertam uma acção comum – recordemo-nos de que, há vinte e dois anos, houve convergência temporal, mas em acções diferenciadas. Tal é o nível (baixo, muito baixo) a que chegamos, que o grau de asco e repulsa pelas sucessivas políticas governativas atingiu já, com intensidade imprevisível, os próprios militantes sindicais de filiação socialista, organizados nos sindicatos da UGT. De facto, quem senão cada um dos sucessivos governos tem promovido a mais descarada e ilegal precariedade laboral no seio de todos os organismos do próprio Estado, servindo de triste exemplo e cobertura para os empresários manhosos que por aí pululam? Quem senão esses mesmos governos promovem as maiores poucas-vergonhas que vão desde o luxo sibarítico dos seus gabinetes até ao encaixe e aconchego, em prateleiras douradas, de todos os meninos-bonitos que lhes comem das mãos? Quem senão esses mesmos governos promovem o encerramento de escolas, a diminuição escandalosa dos serviços de saúde, o aumento até à insanidade da complexidade e carestia no acesso à Justiça, invocando sempre as consabidas razões de racionalização de custos, para logo atribuírem mais uma dúzia de pensões milionárias aos amigos, mais duas dúzias de assessorias para qualquer gabinete ministerial, acolitadas pelo sacramental regimento de secretárias, motoristas, tapetes persas e outras mordomias inerentes à «dignidade» do cargo e da função? Quem, senão estas seitas organizadas partilham poderes, influências e benefícios em incontáveis casos de ladroagem ou de polícia – como vocências melhor entenderem –, como o BPN, o Freeport, etc., etc., as faces mais ou menos ocultas de todas as sucatices em que vivemos atascados e por onde escorrem rios inesgotáveis (?) do nosso dinheiro? E nós, cidadãos, vemos, ouvimos e lemos… e vamos alegremente pagando, conformados com o «eles é que sabem e eles é que podem», sem a ousadia ou o golpe de asa que dê para correr com a cáfila sequer através do simples voto. Veremos, pois, se o senhor Aníbal, grandíssimo percursor do estado de sítio lastimável em que nos encontramos não vai ser o próximo pré-anunciado e indiscutível Presidente da República, com o «voto popular». Pois é. É patológico. É masoquismo maníaco-depressivo tão bem cultivado pelos poderes. E diz-se que o povo é quem mais ordena… mas esqueceu-se! À greve, pois, quem ainda se lembre e mantenha a respectiva coluna dorsal verticalmente no sítio.
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