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Última Actualização
Última Actualização: Terça, 21 Fevereiro 2012 - 09:35 GMT+00
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| Escrito por Jorge Castro | |||
| Quarta, 20 Outubro 2010 23:00 | |||
![]() ![]() ESTOU FARTO DESTES GAJOS MAIS OS SEUS ORÇAMENTOS DA TRETA! Jorge Castro E A REPÚBLICA QUE NUNCA MAIS CHEGA…! Afirmar-se, hoje e aqui, que Sócrates e o seu elenco, sequenciando uma caterva de governos do bloco central de interesses, têm destruído a esperança de Portugal enquanto nação independente e viável, parece uma evidência que poucos, hoje e aqui, terão coragem de sequer contraditar, perante a evidência avassaladora dos factos. E desenvolve-se esta estratégia de destruição através de duas componentes, também elas gritantes mas aparentemente incontroláveis, segundo os seus preclaros defensores e teóricos. A saber: - por um lado, uma submissão cega aos interesses da alta finança internacional, a que se convencionou rotular de «mercados»; - e, por outro e ao nível interno, a concentração do poder, sem pudor nem barreiras de qualquer espécie, nas mãos de uma minoria não qualificada, de que é parte substantiva o «escol» de que cada primeiro-ministro se faz rodear, pagando por bom preço – com os dinheiros de nós todos, entenda-se! – o apoio de tais apaniguados colhidos na família da respectiva máquina partidária, quando não no seio da própria família de sangue. Chamam-lhe clientela política mas também é chamada «os boys». Para além de aparentes dissensões de somenos importância, há dois principais clãs que têm (des)governado o País e que, ultrapassando minudências, sempre acabam por se entender, à mesa do orçamento, relativamente às questões de fundo – e a isto vão-lhe chamando a «alternância democrática», no que toca à partilha do poder de Estado. E assim medram. De um lado, os tais interesses internacionais – travestidos de OCDE, FMI, Angela Merkel ou o que seja – desenvolvendo e fomentando condições que apoiem a argumentação dos teóricos profetas da desgraça internos – eles próprios devidamente aconchegados nas tetas da porca de que já nos falava Bordalo. Do outro, os demais títeres, os homens-de-mão do regime – que, acrescente-se, de republicano já não vai tendo o menor resquício – aplicando no terreno cada medida que favoreça a sua sede inesgotável de dinheiro, os tios Patinhas dos nossos descontentamento e secura, defensores eméritos e impiedosos dos tais interesses internacionais. Entre uns com fome e outros com vontade de comer, assiste-se aqui à maior convergência idiossincrática destas forças em presença. Uns e outros destroem o Ensino Público, recorrendo à farsa, à aldrabice, à desestruturação mais soez e atabalhoada, governo após governo, descredibilizando sem vergonha os seus agentes profissionais – os professores –, e abandalhando por completo os programas curriculares. Assim promovendo, por consequência inevitável, o Ensino Privado, em claro incentivo à criação de «elites», tantas vezes formadas apenas à custa do dinheiro injectado pelos papás que o podem fazer, e que serão os apaniguados do futuro dos futuros centrões. Os poucos bons com consciência do seu valor e saber em prol da sociedade em que estão inseridos tendem a emigrar para bem longe de Portugal onde, até para eles, a mediocridade instalada não deixa lugar disponível, nem espaço de respiração. Uns e outros martirizam o Serviço Nacional de Saúde, debilitando-o, diminuindo-o, transformando-o numa caricatura que só não é risível devido aos dramas sociais que gera, por incúria, abandono e, também, trapalhice, iniquidades e burocratismo promovidos e instalados. Assim se cria um ambiente de insegurança emocional, depressivo, em que a luta pela sobrevivência acaba por assumir, mesmo no cidadão mais pacato, foros de luta sem quartel contra o seu semelhante, sempre que a saúde própria ou a dos seus esteja em jogo. Uns e outros armadilham o caminho da Justiça, que se constituiu como um mar de sargaços em que apenas sabem mover-se alguns profissionais altamente especializados, detentores de saberes iniciáticos, e apenas acedíveis através do dom Dinheiro, que tudo manda e tudo resolve. Circunstância que gera, por sua vez, no cidadão contribuinte, a desconfiança, a insegurança e o medo que levam ao «salve-se quem puder», como elementar presunção de regras de sobrevivência, que nos toca a todos, em todos os quadrantes e nas mais desvairadas situações. Uns e outros vilipendiam o Trabalho, desprezam-no e amesquinham-no. Desregulamentam impunemente as regras instituídas a sangue, martírio e fogo pelos nossos pais e pelos nossos avós. Criam um futuro sem futuro, onde os nossos filhos, sem identidade nem dignidade profissionais, serão a carne para canhão do capitalismo mais selvagem e mais fascista, que se esconde nos eufemismos hipócritas de neoliberalismo. Destruiu-se a Indústria. Aniquilou-se a Agricultura. Desmantelou-se a Pesca. Esmagou-se todo o tecido produtivo numa teia de iniquidades. Sempre invocando Bruxelas, é certo... Mas é tão certo assim? E, agora, vamos viver de quê? E vamos reganhar o futuro com que meios? Roubando os funcionários públicos e os reformados através de cortes salariais e exorbitante carga fiscal que nos derreia a todos? Sobrecarregando de IVA produtos como a margarina ou o óleo? Esses reles e mesquinhos paliativos que vão desaparecer num ápice, perante a voragem dos tais «mercados» e das suas quintas-colunas instaladas no (ou através do) poder político interno? Sócrates tresleu os ensinamentos do método do seu homónimo grego, que advogava que o aluno tivesse, primeiro, conhecimento do seu próprio erro acidental, partindo daí para o descobrimento e aquisição da verdade. ![]() Tornou-se, ao contrário, um criador emérito e deliberado do próprio erro, com dinâmica própria e alma intrínseca, por sua vez sustentadas na mentira pura e dura e plena de desfaçatez de um mentiroso compulsivo, o mesmo que, quando a manutenção da aldrabice se torna insustentável, não colhe ensinamentos da mesma, mas antes dá início a um erro novo, igualmente deliberado e sustentado pela mentira, mas mais «moderno», mais «p’rà frentex», que pelas suas bruteza, crueldade e flagelo social rapidamente faça esquecer o erro e a mentira precedentes, pela voragem de aflições que cria em seu redor. Mas este primeiro-ministro não está sozinho na atitude, que se tem revelado transversal a todo o centrão de interesses, e que perpassa pela (des)governação de Cavaco Silva como pela de António Guterres, pela de Durão Barroso como pela de Sócrates. E os cidadão que somos, ficamos em que pé perante isto tudo, aparentemente sem horizontes e condenados a sustentar a banca, a alta finança e a corja, as alternadeiras sem rei nem roque que nos esmifram o viver? Pois, tão simplesmente por aquilo que se chama, republicanamente, cidadania, contrariando até à inversão o abandono, o desinteresse, a falta de solidariedade em cada alento que respiramos, sem baixar a guarda e tentando não abandalhar o voto. Não é muito o que está em jogo… Apenas nós, os nossos filhos e os nossos netos. Afinal, o nosso País. Talvez não valha nada. Talvez nos seja tudo. Aqui fica à consideração dos meus concidadãos. Chamemos-lhe patriotismo, se quiserem, e talvez esteja na altura de reabilitarmos a expressão, sem complexos descabidos. E, então sim, que viva a República!
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