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Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Escrito por Tenente Coronel Brandão Ferreira | |||
| Sábado, 25 Setembro 2010 04:10 | |||
![]() ![]() Os P3P e o que pode ser feito Tenente Coronel Brandão Ferreira
Rui Barbosa A participação da Força Aérea (FA) na recente operação “Atalanta”, da União Europeia, com um avião P3-P e 42 militares, veio pôr novamente em destaque aquele sistema de armas, que é de grande mais valia para a defesa e segurança nacionais. A participação portuguesa teve início em 21 de Abril deste ano e prolongou-se por quatro meses, tendo a aeronave regressado a 26 de Agosto. A operação destinava-se a combater a pirataria marítima que assola o “Corno de África”, tendo o nosso pessoal operado a partir de Victória (ilhas Seicheles) e Djibouti. O saldo final foi de 40 missões, 324 horas de voo e mais um sucesso para as cores nacionais. A frota de P3P tem como principal missão a luta anti-submarina e como missões secundárias a busca e salvamento, a vigilância marítima e o apoio a operações especiais. É um avião dotado de grande autonomia e fiabilidade e pode ser equipado com uma panóplia muito variada de sensores e armamento permitindo, desse modo, uma grande flexibilidade de emprego. O P3P Orion representa pois, um sistema de armas que cobre uma área importante e considerável das missões atribuídas às FA’s portuguesas e permite a continuação a escola “anti-submarina” em Portugal que aliás tinha sido interrompida com o abate ao efectivo da frota P2V5 Neptune, em 1978. A vinda do P3P (6 aeronaves), em 1986, representou um investimento de cerca de 50 milhões de contos iniciais e concluiu um ingente esforço da FA em tornar a adquirir este tipo de plataformas o que foi feito com baixos custos e emprestando ao projecto pouquíssimos recursos humanos. Tal facto e a falta de disponibilidade financeira (falta de empenhamento político) para equipamentos essenciais (por ex. o LINK II), comprometeram desde o início a correcta exploração da frota e o seu rápido aprontamento para as missões que era suposto vir a cumprir. ![]()
Esta modernização fará os P3 portugueses serem “topo de gama”, sem embargo das diferentes configurações o que tornará a manutenção e a interoperabilidade, mais complexas. Além de uma maior capacidade de sobrevivência (operação “stand off”), as novas máquinas possuem sensores (sistema ISTAR), que lhes permitem colher todo o tipo de informações e todo o tipo de vigilância. O calcanhar de Aquiles de todo este sistema de armas, tirando os elevados meios financeiros para os operar e manter, são as tripulações - 12 elementos por avião. Ou seja, tem sido muito difícil formar e reter o pessoal (que é altamente especializado), sobretudo os pilotos, pois grande parte deles tem abandonado as fileiras em busca de melhores ordenados, missões mais fáceis, mais direitos e menos deveres e melhor reconhecimento social - são precisos muitos anos para se ganhar competências e capacidades e muito pouco para se perderem… Este problema deve ser resolvido com urgência! Para quem pensar que a ameaça submarina a Portugal terminou com a queda do muro de Berlim, e por isso já não se justificaria este tipo de aeronaves, temos a argumentar que estas coisas vão e voltam, que as ameaças podem mudar de um dia para o outro e que em tempo de paz, nós temos que nos cuidar mais dos países amigos do que dos nossos inimigos. Os P3P representam, por isso, uma fatia importante de afirmação de soberania e um sistema de armas capaz de permitir múltiplas opções ao poder político, face a ameaças previsíveis com que a nação portuguesa se venha a confrontar na defesa dos seus interesses, ou simplesmente na afirmação de Portugal no xadrez mundial. E é neste âmbito que se poderiam equacionar um conjunto de novas missões, de grande interesse político/estratégico para o nosso país, que não se limitem a tentar entregar a nossa Defesa a organizações de Segurança internacionais e de angariar subsídios da U. E., comprometendo o nosso futuro e a nossa soberania. Vou dar um exemplo aplicado aos P3-P. A nossa projecção político-estratégica tem-se baseado, pelo menos em termos teóricos, no Atlântico (onde reside a nossa liberdade estratégica e janela de desenvolvimento económico), através do triângulo formado pelo Continente, os Açores e a Madeira, incluindo a ZEE, as regiões de Informação de Voo (FIR), de Lisboa e S. Maria e o espaço interterritorial. Toda esta enorme área está longe de ser convenientemente vigiada, ocupada e explorada. Acresce que, neste momento, o governo português submeteu na ONU, uma proposta para a extensão da Plataforma Continental até às 350 milhas o que, a ser autorizado, vai aumentar a nossa área de soberania (incluindo a imersa) em mais 2. 150. 000 km2!. Imagine-se os meios necessários para fazer reverter todo este potencial em realizações práticas, e da importância dos P3, neste cenário. Por outro lado têm restado umas migalhas para o antigo mundo português, onde por inépcia e pseudo constrangimentos “neo-coloniais”, grande parte do investimento tem resultado em despesa, pouco retorno e algumas humilhações. Ora numa segunda fase (a primeira seria “explorar” convenientemente o triângulo estratégico definido, deveríamos projectar este triângulo, deslocando o seu vértice sul para Cabo Verde; numa terceira fase criar, um novo triângulo entre este arquipélago, o Brasil e S. Tomé – Luanda; finalmente transpormos em quadrilátero para a Costa de Moçambique, aberto ao Oriente. É evidente que precisaríamos de vários artigos para desenvolver toda esta teoria, que pretendemos ilustrar apenas com o uso da frota P3P. Assim uma destas aeronaves devia, depois de acordo devidamente negociado, ser deslocada para Cabo Verde, a fim de garantir os serviços de SAR da FIR do SAL (e ser alargado à Guiné-Bissau) Neste momento tal é garantido por um Breguet Atlantic, Francês baseado em Dacar). . . Com o tempo esta missão poderia ser alargada a outras. O mesmo acordo poderia ser proposto a S. Tomé e, mais tarde, a Angola país que pelo seu passado recente, potencial estratégico e ambições regionais, apresenta-se como o principal obstáculo a semelhante negociação; finalmente o P3P afigura-se como a plataforma ideal para fazer a vigilância de toda a costa Moçambicana. Pode pensar-se que tudo isto está para além das nossas capacidades e representa uma despesa enorme. Creio que tal não corresponde à verdade. Os portugueses respondem muito bem a desafios que aparentemente ultrapassem as suas capacidades. É aliás disso que eles gostam, tirando os “velhos do Restelo”; por outro lado tudo isto deve ser visto como um investimento, que naturalmente os países beneficiários teriam que pagar. E há muitas formas de o fazer. Para além do que as FIR representam soberania e o seu controle representa também receitas. Por outro lado existem vantagens que são difíceis de contabilizar, mas que estão longe de ser despiciendas: por exemplo, respeito internacional; reconhecimento por parte dos países hospedeiros da contribuição que tal resulta para a sua soberania e contenção de eventuais objectivos expansionistas estrangeiros; realização de cooperação efectiva; aumento da importância de Portugal junto das organizações internacionais de que faz parte; possibilidade de recolha de informação nos mais variados campos, etc. Um etc grande que apenas encontra limites na nossa imaginação e no nosso querer. Finalmente, poderia proporcionar um esteio político/estratégico à Comunidade dos Países de Expressão Oficial Portuguesa (PALOPs). Com tudo isto, talvez a actual frota de cinco aviões, não fosse suficiente. . . Mas isto digo eu, que passei uma temporada em Marte e que, como os meus amigos sabem, vim de lá um bocado apanhado pelo clima. Os leitores farão o favor de dar o devido desconto.
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