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1 de Março de 2010Os 100 Artigos + lidos
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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Opinião | |||
| Escrito por Jorge Castro | |||
| Terça, 20 Julho 2010 13:05 | |||
![]() Passos Coelho, o cavaleiro-branco,a proposta da revisão constitucional e este fado canalha que nos consome… Jorge Castro Saltamos do boneco de pau criado pelo presidencial e providencial avô Gepeto (também conhecido como Jorge Sampaio) para o cinéfilo cavaleiro-branco que veio do frio ou da Obra e foi descongelado pelo preclaro Ângelo Correia, angustiados, cada um a seu modo, com o salvamento da nação, em momentos de periclitâncias ideológicas e outras ignorâncias. Aprendi a não dar benefícios da dúvida aos nossos sucessivos políticos, a não ser após obra feita e rasto lavrado na sociedade portuguesa. Assim a modos que em cumprimento da celebrada frase do futebolista que assegurava que «prognósticos só no fim», o que entendo ser de boa cautela e aviso. Vem isto a propósito da escalada de autoconfiança que tenho vindo a apurar em Pedro Passos Coelho e que, ao contrário de me transmitir a mim alguma confiança, me avoluma constantes e agravadas apreensões. Logo eu, que me considero tão optimista, esperançoso e tolerante… Escalada de pseudo-autoconfiança que culminou, hoje, neste anúncio de proposta de revisão constitucional descabida, anacrónica, destemperada, desnecessária, petulante, sacana, burlesca, vigarista, perturbada – falham-me, lamentavelmente, adjectivos originais e abrangentes – e, no entanto, vendida como muito «oportuna e racional face ao estado da nação». Duas expressões, apenas, propostas para retirada da actual Constituição e dignas de especial destaque nessa sanha contra o Estado-social que tanto apoquenta estes selvagens capitalistas, chamem-se eles José Sócrates (JS) ou Pedro Passos Coelho (PPC), empenhadíssimos, entre arquitecturas teóricas e desmandos práticos, em defender os seus mentores (comuns?) e as respectivas clientelas (diversificadas): o acesso à saúde tendencialmente gratuito e o despedimento sem justa causa. PPC propõe, canhestro e precipitado, respectivamente, para a Saúde, a fórmula substituta «não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos»; e para o mundo laboral, essa extraordinária expressão «sem razão atendível». Também na Educação, PPC propõe eliminar do actual texto constitucional as fórmulas "criar um sistema público" e "estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino». Sofismas, devaneios semânticos, embustes. Ora, todos sabemos que, na Saúde, as condições da sua prestação andam pelas ruas da amargura e «a insuficiência de meios económicos» há muito que coarcta, na prática, o acesso a largos sectores da população a cuidados de saúde racionais e razoáveis. Que fará se estiver constitucionalmente sedimentada! Do mesmo modo, no mundo do trabalho, há longos anos que os despedimentos têm lugar à tripa forra, sem apelo nem agravo, estando qualquer empregador – a começar pelo próprio Estado e pelas grandes empresas – desonesto (que os há honestos, estou em crer…) sustentado na inoperância cúmplice da Inspecção do Trabalho e dos Tribunais, perpetrando-se neste âmbito as ilegalidades e os desmandos mais descarados, certos de impunidade prática. Pela Educação, a falta de qualidade gritante do serviço público, criada e alimentada pelas Manelas, pelas Milus e pelos Pedreiras do nosso descontentamento, vai fazendo pensar que, se calhar, nem vale a pena gastar-se o dinheiro de impostos com «aquilo»… e a corrida dos paizinhos, aflitos com o futuro dos rebentos, à iniciativa privada é o que se sabe. Restam, no entanto, aqueles pais com a tal «insuficiência de meios económicos», mas a esses arrebanham-se os filhos nuns contentores mal amanhados, vinte e quatro horas por dia até atingirem os 18 anitos e está o caso resolvido. Dali sairão, muito provavelmente e em massa, directos para um dos partidos do centro ou, em alternativa, para um estabelecimento prisional e estará encarreirado o seu futuro. Então, se no terreno tudo vai estando já de cangalhas, nada como aproveitar, com notável sentido de oportunidade, as debilidades do momento para sedimentar em letra de forma constitucional os alicerces desta «miséria de filosofia». Cada vez mais se assiste, então, ao total divórcio entre os interesses dos políticos proto-governantes e mandadores do Estado, quando lá se alcandoram, e a seita (que somos nós todos) que ironicamente os elege. Cada vez mais se minam, deliberada e despudoradamente, os fundamentos do Estado-social como modo, aparentemente eficaz, confessemos, de sustentar os demagógicos argumentos em favor da iniciativa privada e dos «superiores interesses da nação». Uns vão-no minando no terreno, outros vão «teorizando» acerca do modo de o minar. O resultado prático vai desembocar no mesmo e não há, afinal, diferença alguma no resultado final – e, vendo bem, nem sequer há diferenças no discurso, se adequarmos a análise a circunstâncias temporais. Cada vez mais, portanto, o Estado nos surge como mais uma «empresa» com interesses no terreno, em vez de ser uma emanação do povo e o seu representante e defensor por eleição. E é aqui que reside a malfeitoria de todos estes centrões da treta e os seus mediáticos servidores. ![]() Já repararam como expressões como competência, eficácia, honra e, até, meritocracia deixaram de povoar o universo destes senhores? Se já me considero bastamente esclarecido quanto às habilidades circenses de JS, perdi ilusões, agora, perante esta infeliz e desadequada arremetida de PPC. Nem acredito que haja, aqui, meros equívocos de assessores desajeitados. Se é tão-só isso o que me vai restando, aqui fica mais outro em quem não voto e pronto!
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Portugal






Passos Coelho, o cavaleiro-branco,
