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1 de Março de 2010Os 100 Artigos + lidos
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Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Opinião | |||
| Escrito por Pedro Laranjeira | |||
| Domingo, 13 Junho 2010 06:30 | |||
![]() ![]() AS MENTIRAS DA NET DESTA VEZ A VÍTIMA (INOCENTE) É A MÃE DE FRANCISCO LOUÇÃ Pedro Laranjeira ![]() Do nosso colaborador Joffre Justino, Director da Escola Profissional Almirante Reis, recebi um email em que se revolta contra o facilitismo com que se tornou habitual utilizar a net para difamar terceiros e fazer torpes campanhas públicas contra quem não se gosta. Tratando-se de um homem que assumidamente não se identifica com o Bloco de Esquerda nem com os princípios que o partido defende, este é um acto de honestidade que o dignifica e honra a Free Zone, por o contar entre os seus colaboradores. O email que nos enviou vinha com o título: "Como Sabem Não Sou do Bloco de Esquerda, (Nem nada Que se Pareça…), Mas Não Alinho Em Mentiras!" Tudo começou com outro email, recebido por ele, em que o Bloco de Esquerda é criticado pela nomeção da mãe do seu líder para o cargo de Assessora do Bloco Parlamentar do Partido. Foi assim que este email foi posto a circular na net: ![]() Perante isto, Joffre Justino, que afirma "não contem comigo na critica mentirosa e soez seja contra quem for, da Esquerda à Direita", interrogou o próprio Bloco de Esquerda sobre a veracidade ou não deste caso, ao que o BE respondeu com o texto abaixo: ![]() A partir daí, Joffre Justino deu-se ao cuidado de iniciar um desmentido ao ataque contra o BE, em clara demonstração de que, apesar de não morrer de amores por aquele partido, morre de amores por uma honestidade que é, essa sim, supra-partidária. Como me compete, enquanto jornalista, fui verificar tudo isto. Aqui fica a prova documental da verdade, publicada em Diário da República: ![]() Para quem, ainda assim, tenha alguma dúvida, aqui fica também o próprio documento completo em que esta nomeação é exarada, que pode ser obtido AQUI. Estendi então a minha pesquisa aos motores de busca tradicionais, começando pelo Google, e encontrei imensas publicações daquela "notícia" inicial, todas com dois pontos em comum: nenhuma estava assinada com o nome de quem fazia a publicação e todas se tinham "esquecido" de terminar o último parágrafo do despacho com o que faltava: uma vírgula e a frase "sem qualquer remuneração." O autor do email, que se assina "Dixit!", fala de "ANORMALIDADES" e termina a palavra com 15 pontos de interrogação. Quantos seriam precisos para classificar a sua própria ANORMALIDADE?... Diz ainda que este é "mais um exemplo da ética republicana" - que exemplo dá ele de "ética", ao publicar um texto que corta antes das palavras que desmentem a própria afirmação que pretende transmitir? Mas achei de tudo, até mesmo uma "RUIVA" num blog... a mesma coisa. O Sr. "Dixit!", outra "ruiva" do mesmo calibre, não tem vergonha na cara - e é por isso que não dá a dita (a cara), assinando o nome na net. Eu sei que é habitual, recebo centenas de coisas vergonhosas deste calibre. Ainda me lembro dos milhares de emails que circularam, sobre a gripe A, com um texto de uma senhora identificada como "antiga Ministra da Saúde da Finlândia"... que nunca foi Ministra da Saúde da Finlândia! Outra, notável, foi uma notícia do "AutoHoje" de 1 de Abril de 2010, anunciando que os militantes do PS tinham um desconto de 22 cêntimos por litro de combustível na Galp, notícia que o AutoHoje desmentiu, 7 dias depois de a ter publicado, com esta notável explicação: "Foi 1 de Abril: duas páginas de mentiras". Estranha forma de jornalismo! Pessoalmente, ao longo de 40 anos de carreira, nunca fiz uma "brincadeira" destas, porque se corre facilmente o risco de enganar os leitores. Mesmo admitindo, por sentido de humor, que é legítimo a um órgão de informação publicar uma mentira no dia que lhe é dedicado, ela deveria ser desmentida na mesma edição, nunca sete dias depois... digo eu! É claro que entretanto, circulou na net e enganou milhares de pessoas. Outra coisa, mais grave, é usar a plataforma das novas tecnologias para difamar e mentir, propositadamente, ainda por cima a coberto de um conveniente anonimato. Liberdade de informação não corresponde a direito de difamação. A defesa do bom nome e da dignidade são protegidos pela Lei e pela Constituição. Portanto, estamos perante uma ilegalidade. Torna-se necessário que estes actos sejam punidos, ou fica pervertido o Estado de Direito. Entendo que o governo não possa fiscalizar a vastidão da net, mas deveria tornar-se obrigatório, pelo menos, que os fornecedores de serviços (na sua maioria gratuitos), como blogs, alojamento de páginas, endereços de correio electrónico e mesmo o acesso à Internet, fossem obrigados, por lei, quando notificados com denúncia e prova documental (para não terem que assumir, eles próprios, responsabilidades de fiscalização) da prática de um acto ilegal por parte de um seu utilizador, a suspender de imediato essa prestação de serviço e bloquear o acesso ao autor do ilícito. É possível: o YouTube, por exemplo, age sempre perante uma denúncia de violação de direitos de autor. Se o estado regulamenta a aquisição de armas, porque existe tão somente o risco de serem usadas para fins ilegais, o que é um acto de prevenção, deveria também legislar no sentido de punir o cometimento de actos ilegais que já aconteceram, como são estes casos. Uma vez que este artigo vem a propósito do Bloco de Esquerda, aqui fica o desafio ao seu Grupo Parlamentar para que apresente à Assembleia da República uma proposta de Lei que obrigue os prestadores nacionais de serviços de Internet a suspender o direito de uso a quem fique provado que violou direitos garantidos pela Lei e pela Constituição. Muita gente ficaria sem email, muitos blogs fechariam, muitos proprietários de obscuros "nicks" deixariam de ter quem lhes fornecesse o acesso à net. Pelo lado dos blogs e dos endereços de email, sei que os recursos podem ser internacionais, mas era um passo no sentido certo, que acabaria com parte do problema... agora o acesso à net, esse tem que ver com empresas nacionais que são obrigadas a cumprir a lei. Se esse acesso for utilizado para cometer actos ilegais, pode e deve ser suspenso. Recordo que estou a falar do cometimento de ilegalidades, não de limitação de liberdade e, como já disse, "liberdade de informação não corresponde a direito de difamação". Relativamente ao Bloco de Esquerda, a minha posição é diferente da do nosso colaborador Joffre Justino, apesar de com ele me solidarizar na necessidade de vir a público esclarecer mentiras propaladas, como prova o facto de estar a publicar este artigo. Joffre Justino saiu em defesa do BE apesar de confessar que não simpatiza com o Partido - pessoalmente, nem simpatizo nem antipatizo, apenas lhe sou atento, com isenção, como manda a minha deontologia profissional. Não fiz este artigo, portanto, para repor o bom nome do BE, mas para REPOR A VERDADE. É vergonhosa a utilização da Internet para propagar a mentira, é vergonhoso o carácter (leia-se "baixo carácter") de quem o faz, são vergonhosos os/as quem se acobardam sob o uso de nicks/pseudónimos e não têm dignidade para assumir quem são e o que afirmam! Já agora, um pouco à margem do tema, mas em relação ao Sr. Francisco Louçã (ou à sua família): não nos conhecemos pessoalmente, a não ser de um único encontro e um breve aperto de mão num debate do Clube dos Pensadores, que não lhe permitirá recordar-me, mas tenho com ele uma curiosa relação anímica que data dos seus 17 anos de idade e aqui lhe contarei com esta breve história: "Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, como jornalista e acompanhado pela minha colega Barbara Skolimowska, estava eu no Terreiro do Paço com as forças do Capitão Salgueiro Maia, quando, junto à amurada que bordejava o Tejo, vimos um vaso de guerra manobrar bem à nossa frente, com os motores a trabalhar e esteiras de espuma a mostrar as mudanças de posição. Tratava-se da Fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo Capitão António Seixas Louçã, pai do actual líder do Bloco de Esquerda. Sabe-se que recebeu ordens para abrir fogo sobre a praça onde estávamos todos. Houve quem o percebesse e receasse. Só muito mais tarde se veio a saber que nunca existiu perigo. A fragata esteve sempre sob o firme comando do seu Capitão, que era um conhecido opositor ao regime vigente e teve o cuidado de mandar colocar todas as peças de artilharia, que nunca estiveram carregadas, no máximo grau de elevação, para que as tropas de Salgueiro Maia percebessem que não tinha intenção de abrir fogo. As manobras destinaram-se a oferecer o menor flanco possível a uma ameaça entretanto recebida de que o vaso de guerra estava na mira dos canhões do Forte de Almada e do Cristo -Rei. Se o Capitão Louçã tivesse cumprido a ordem, teria sido um gigantesco banho de sangue, uma vez que por essa ocasião estavam no Terreiro do Paço mais populares que soldados... incluindo eu..." Portanto, Sr. Francisco Louçã: devo a vida ao seu pai. Faça-me o favor de lho agradecer, em meu nome!
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