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Última Actualização
Última Actualização: Terça, 21 Fevereiro 2012 - 09:35 GMT+00
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| Escrito por Guilherme Pereira | |
| Sexta, 15 Julho 2011 04:03 | |
![]() HASTA SIEMPRE, CHE GUEVARA ! Homenagem de cantora francesa ao Comandante ![]() NATHALIE CARDONE entrevistada por Guilherme Pereira, em Cuba ![]() Nathalie Cardone, actriz e cantora francesa, realizou um vídeo-clip com a canção COMANDANTE CHE GUEVARA, em Cuba, mais precisamente numa pequena aldeia a 15 quilómetros de Havana. Desloquei-me propositadamente a Paris para a entrevistar, quando soube que ela incluía sempre nos seus concertos esta canção lendária de CHE e principalmente porque fui informado que a empresa discográfica se preparava, já com o aval da filha de Che, Aleida Guevara, médica cubana, para realizar o filme em Cuba. Falámos no seu camarim depois de um espectáculo que ela deu para antigos estudantes universitários da Universidade de Sorbonne. Posteriormente, ela mesmo sugeriu que retomássemos a conversa no dia seguinte. Assim foi. O meu objectivo não era entrevistá-la em Paris, mas em Havana, durante os 17 dias que durou a super-operação da filmagem, que envolveu a participação de mais de 300 mulheres e 90 homens cubanos como figurantes. Nathalie anuíu de imediato. Seguiria, aliás, com ela, e a super-equipa de filmagem que a acompanhou, num voo comercial. Segui cada dia do recrutamento das figurantes e, depois, das filmagens. A nossa entrevista não foi realizada como habitualmente, ou seja, microfones e câmaras ligados, “acção” e vamos a isto. Pelo contrário, e porque se tratava de um trabalho de fundo que incluía a entrevista, passei com ela os 17 dias e fomos gravando aos poucos. Deixo-vos, em língua portuguesa, um excerto dessa entrevista, divulgada a nível internacional. Publicarei o vídeo realizado em Cuba. Em qualquer deles é flagrante o comportamento físico da cantora, muito marcada pela sua formação de actriz e o domínio da dança espanhola, que desde muito cedo aprendeu com a mãe. Antes da entrevista, aqui fica o video ... GP - Nathalie: começamos por onde? NC - Pelo princípio… GP - Explicita melhor, por favor. NC - Bom, o princípio foi quando em Paris, no intervalo do concerto, o meu assessor de imprensa me informou que tu estavas lá para me entrevistar…eu não te conhecia, nunca nos tínhamos sequer visto. Ou melhor: eu olhei para ti várias vezes durante o concerto porque estiveste sempre a tomar notas, não aplaudias nem assobiavas (risos), percebi logo que não eras um espectador anónimo e francamente desconfiei que deverias ser jornalista…nem tinhas cara de meu fã… ( risos) GP - Mas hoje sou teu admirador, no mínimo… NC - Também ajudei um bocadinho não? Ofereci-te logo nesse dia 3 dos meus CDs, logo no camarim ou não te lembras? GP - Claro que lembro. Escreveste dedicatórias pessoais e diferentes em todos eles. NC - Não é meu hábito até porque gosto muito pouco de sessões de autógrafos. A pessoas muito especiais, como és tu, não me limito a fazer um rabisco e personalizo o que escrevo. GP - Vamos falar do Che e de como chegaste a Havana para esta mega-operação? NC - Vamos a isso. Tu disparas e eu riposto ( risos) GP - Questão elementar. Como é que uma actriz e cantora consagrada aparece a cantar sempre o Che e esta canção em particular? NC - Olha. Eu era ainda uma adolescente e desde muito pequena que via o quarto dos meus pais com uma grande poster do Che e fui querendo saber quem era aquele personagem com uma boina negra, de barbas e a sorrir…e ainda por cima um homem bonito ( risos) GP - Os teus pais contaram-te, imagino.NC - Sim. Foi aos poucos. Cada vez que dele falavam acrescentavam sempre mais um elemento sobre a vida dele. GP - Quem são os teus pais? NC - Ele é siciliano, advogado, e a mãe é espanhola e médica. Uma mistura quase explosiva ( risos). GP - Mas nesse caso só tinhas conhecimento dos factos, não das músicas… NC - Nada disso!...eles tinham lá um disco de vinil que volta e meia tocava o “Comandante Che Guevara”. Quase cresci com essa canção nos ouvidos. GP - Depois fazes o conservatório e entras no mundo do cinema e das canções… NC - Sim, sim…mas desde muito cedo, ainda como estudante, nas festas dos meus colegas, ou festas familiares, eu cantava sempre essa cantiga. GP - Sucede que depois de filmares com actores super consagrados transformaste-te numa estrela… NC - …Eu nunca me considerei nem considero assim, Guilhaume ( ela chamou-me Guilherme em francês e mais tarde passou a abreviar par GUI, que é aliás como me chamam nos meus círculos mais privados)… GP - Mas não podes negar que para o chamado star-sistem és mesmo uma estrela. NC - Isso é verdade. Interiormente e na minha vida não profissional sou a mulher mais simples que podes imaginar. GP - Bom…isso dá para perceber. Já te acompanho há vários dias e vejo o teu comportamento, dá para constatar. NC - Em resumo sou uma estrela para a comunicação social mas estrelas mesmo são as que tenho no coração. GP - Nunca foste incomodada ou pressionada por integrares sempre o CHE nos teus concertos, falares sempre dele nas entrevistas, vivendo tu profissionalmente no mundo sofisticado e capitalista do estrelato? NC - A princípio, sim….ainda me disseram coisas do género se eu tinha consciência de que não poderia compatibilizar a facturação, ou seja, o dinheiro que me pagam, com o Che comunista e revolucionário no meio. GP - Como é que reagiste? NC - Simplesmente dizendo que eu amava e amo o Che e que os meus espectadores dos concertos sempre reclamavam que eu cantasse essa cantiga. GP - Aguentaste-te, portanto. NC - É verdade. Mas sabes uma coisa? GP - Conta lá. NC - Depois deu-se o que eles não esperavam. É que os concertos esgotavam para me ouvir e as salas cheias só se levantavam em coro precisamente com a canção do Che, que multiplicou por mais cinquenta os volumes de vendas dos CDs em menos de um ano. GP - Resumindo. O revolucionário a encher os bolsos aos senhores do dinheiro. NC - Disseste a frase que resume tudo. Ainda hoje é assim GP - Entretanto, aparece esta mega-produção de milhões de dólares, em Cuba. NC - Evidentemente…aliás esse sempre foi o meu sonho. E podes ter a certeza que eles fazem este investimento brutal mas vão ganhar dez vezes mais por conta deste CD. GP - Isso não duvido. Natalie: como é que tu te defines ideologicamente? NC - Pode parecer estranho a uma estrela, como tu me chamaste, mas eu tenho ideais de esquerda e pratico-os sem publicidade em várias organizações humanitárias. GP - Não cantas o CHE só porque gostas da música, deduzo. NC - Claro que não! Em muitos concertos comovo-me e fico com os olhos cheios de lágrimas. GP - Reparei que isso também aconteceu aqui em Cuba. Repetiste várias cenas porque às tantas tinham que te secar as lágrimas. NC - Reparaste bem… aliás só se fosses cego ( risos) porque andaste sempre comigo…só na cama comigo é que não estiveste ( risos) GP - Pois. Confirmo que não estive. Nem estaria nunca, aliás. Em Portugal dizemos trabalho é trabalho é trabalho, conhaque é conhaque… NC - Bem lembrado: e se fossemos beber uma cuba livre ali á cabana que faz de camarim? GP - Acho uma ideia excelente, até porque está um calor bem infernal… *** Aqui fica uma outra interpretação do "Che" pela Nathalie Cardone
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GP - Os teus pais contaram-te, imagino.