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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 10:00 GMT+00
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| Crónica | |||
| Escrito por Paulo Proença de Moura | |||
| Terça, 30 Março 2010 23:00 | |||
![]() ![]() Olá Desde que foste para Lisboa, ainda não te tinha escrito sobre um assunto que te diz respeito e que, como bem sabes, muito me incomoda: ver pessoas a quem são atribuídos cargos de administração e direcção, muito menos por mérito técnico de gestão do que por compadrio político ou cunhas pessoais. Este desagrado transforma-se numa grave alergia quando tenho conhecimento dos níveis de remuneração auferidos por essas pessoas. Obviamente, não se trata apenas dos salários de base mas de todas as outras remunerações, prémios e regalias complementares, em dinheiro e em espécie. Sabes-me explicar os critérios de selecção dessas pessoas? E os critérios que levam à atribuição das suas remunerações? Se souberes diz-me, que eu adoro aprender. Como te deves lembrar, quando comecei a trabalhar, depois de tirar a licenciatura em economia, foi nos serviços regionais da região Centro de uma empresa pública de grande dimensão. Nessa altura, imaginava (só os podia imaginar, pois raramente saíam de Lisboa “para a província”) os administradores dessas empresas como seres fora de série, quase “deuses da gestão”. Alguns anos mais tarde, fui trabalhar para uma empresa industrial de média dimensão. Passados alguns anos passei a fazer parte da administração dessa empresa. Entretanto, houve uma mudança de accionistas, o administrador-delegado foi afastado e fui convidado para o substituir. Recusei, por entender faltar-me experiência para tal. Depressa me arrependi, quando verifiquei que a pessoa que foi contratada para esse cargo entendia menos daquilo do que eu percebo de lagares de azeite. Perguntas-me o que aprendi? Valeu-me a experiência, por tudo o que teve de mau. Mas aprendi a não menosprezar os meus conhecimentos e experiências… e a entender bem melhor estes cargos de gestão. Fiquei a saber que, na prática, as preocupações e compromissos pessoais tendem a sobrepor-se, levando a formas de pensar e de estar fortemente egoístas, em detrimento da organização e, em última análise, dos seus clientes/ utentes/ cidadãos. Como já alguém disse, “muitos executivos despendem muita energia e engenho trabalhando para as suas próprias compensações e «pára-quedas dourados»”. E como eu penso que deveria ser na prática, perguntas-me tu? Simples: a avaliação e selecção deviam ser feitas tendo em conta que valor acrescentado pode uma pessoa dar a uma organização num dado cargo. E essa avaliação deveria ser contínua pois, como já escrevi no meu livro «Persuacção», “por paradoxal que pareça, o gestor «ideal» deveria ser aquele que se tornasse dispensável, que desse o lugar a outro nesse cargo, quando se apercebesse que o valor acrescentado que dá à organização é reduzido, inexistente, ou mesmo negativo”. Desculpa o incómodo e toma lá um abraço do Paulo Proença de Moura
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