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1 de Março de 2010Os 100 Artigos + lidos
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- CARTA de trás da Serra 2
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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 10:00 GMT+00
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| Escrito por Jorge Castro | |
| Domingo, 14 Março 2010 18:01 | |
![]() A Eutanásia de «brandos costumes»? ![]() ... idosos acamados e totalmente dependentes, desenvolvem escaras pavorosas, infecções urinárias, desidratações, etc., etc... Jorge Castro Por um estranho e penoso conjunto de circunstâncias, no escasso período de dois meses fui confrontado com diversas situações do foro da Saúde, que envolvem cidadãos seniores, portugueses, cujo enquadramento clínico implicou internamentos, mais ou menos prolongados, em unidades do Serviço Nacional de Saúde. Encurtando razões e fazendo um dificílimo exercício de objectividade, diria que a sensação que me ficou, apesar de um acompanhamento diário, constante, por parte dos familiares – obrigados, estes, a acorrerem às instituições em confusão, tentando, infrutiferamente, zelar por uma adequada prestação de cuidados de saúde – é que a atitude, ainda que dissimuladamente instalada no terreno, é considerar o idoso como peso morto, descartável, do qual se espera um fim tão rápido quanto possível, porventura a bem de um mais do que distorcido conceito de «combate ao défice». Pelo caminho ficam vidas inteiras de taxas e impostos e descontos que se verteram para o erário público e que a inépcia ou a malfeitoria de governantes delapidaram. Insultuoso, então, neste contexto será alguém sequer insinuar que a Saúde Pública seja «serviço gratuito». Mas é assim que, em lapsos de tempo reduzidíssimos, idosos acamados e totalmente dependentes, desenvolvem escaras pavorosas, infecções urinárias, desidratações, etc., etc. São sujeitos a tratos de polé, de hospital em hospital, de serviço em serviço, em alucinadas deslocações de ambulâncias, porque neste hospital há isto, mas falta aquilo, no outro há aquilo, mas falta isto… Tratos de polé que apressam o inevitável destino: a morte. A qual, sendo para todos expectável, exige, em particular aos agentes da Saúde, parâmetros de dignidade que, institucionalmente, deixaram de existir. Por absurdo, este recurso infrene a «poupanças» da treta, acaba por se revelar um sorvedouro incontrolado e irracional de meios e recursos… que a todos nos torna mais pobres e carenciados. ![]() Num momento em que os habituais e conhecidos arautos da desgraça invocam e agitam o fantasma de uma desgraça supostamente maior para encobrirem os seus porfiados desmandos e continuarem na senda de desumanidade que acalentam, uma vez mais e sempre à custa do cidadão por quem deviam zelar, colho, com a devida vénia, do blog Relógio de Pêndulo, do Herético, esta desassombrada opinião de Eric Hobsbawm, subordinada ao tema «Uma Nova Igualdade», que recoloca o Homem como eixo de Economia e da Política: «O objectivo de uma economia não é o lucro, mas antes o bem estar de toda a população. O crescimento económico não é um fim, mas um meio para dar vida às sociedades boas, humanas e justas. Não interessa o nome que damos aos regimes que perseguem esse objectivo. Interessa unicamente como e com que prioridades poderemos combinar as potencialidades do sector público e do sector privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI». - Eric Hobsbawm, in Word Political Forum, realizado em Bosco Marengo (Alexandria) - 01.11.09 Sábias, ainda que óbvias, palavras. Esta é a atitude que todo e qualquer cidadão de qualquer parte do mundo deveria exigir da sua classe política. Este deveria ser, então, o padrão e paradigma de avaliação da acção de um político e do saldo apurado a sua manutenção ou afastamento. Acrescentaria que a equidade na avaliação e na execução das políticas sociais promove a igualdade, e ainda que ela seja a meta utópica – e quiçá desnecessária ou perversa, em termos absolutos - fará sentido falar da promoção de «uma nova igualdade», porquanto a que existe está em grave estado de falência técnica. Neste contexto, ao Estado (e seus agentes), através das forças políticas, mas também da mobilização do cidadão comum, compete assumir o seu superior objectivo de regulador da sociedade, em vez de se assumir como parte interessada no negócio - qualquer que ele seja... - como tem vindo a ocorrer, com especial desplante, no Portugal do «centrão» (… e não só, dir-se-ia).
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