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Última Actualização: Terça, 21 Fevereiro 2012 - 09:35 GMT+00
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| Escrito por Guilherme Pereira | |
| Quarta, 13 Julho 2011 05:10 | |
![]() ![]() CAVACO EM BICOS DE PÉS...
crónica de Guilherme Pereira Comecei, verdadeiramente, a minha actividade na escrita e na rádio aos 12 anos. Bem recentemente, o PEDRO LARANJEIRA, que consta da minha lista de amigos de facto, avivou-me memórias desse tempo. Ele era o produtor do programa de rádio em que me estreei. Foi no Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques, e era o “Programa da Lenita”…. Maria Helena Jardim, a titular, digamos assim, desse momento semanal infanto-juvenil.Era ouvinte fanático e, um dia, passou-me pela cabeça enviar para lá uns poemazitos. Fui chamado pelo Pedro, que me recebeu e acolheu, com uma generosidade ímpar. Era disciplinado e disciplinador. Era e é ainda um exemplo de Homem, em todos os sentidos. Era o produtor, o irmão, o companheiro, o pai. (Sei que vais ler isto, Pedro…que saudades, bom irmão!) Os poemas foram editados. Não parei mais. Escreveu-me o Pedro para a página “PORTUGAL É FIXE!”, de que sou editor, com a informação de que eu seria, nesse tempo, segundo palavras dele, o “puto maravilha”...Em poucas semanas, de facto, eu já era, para o bem e para o mal, a vedeta do programa, com uma audiência, aliás, impressionante. Saltando no tempo: aos 15 anos, abalancei-me na prosa. Enviei para o suplemento juvenil do “Notícias da Beira”, dirigido pelo ROBERTO CORDEIRO, já falecido, um texto de opinião, sem a mínima esperança, confesso, de ter algum retorno, sequer, por parte do Editor. O suplemento era publicado às terças-feiras. O artigo que enviei tinha o título “EDUCADORES, PRECISAM-SE”, e fazia uma alusão ao que eu entendia, nessa altura como hoje, ser antes de mais o papel de um professor, não especialmente para debitar a chamada matéria, mas para, com o seu exemplo de cidadania, rigor, humildade, despertar nos alunos a curiosidade pelo Saber. Enviei o texto mas não tive resposta, apesar de o ter expedido via correios com a morada no envelope e o número de telefone de casa dos meus pais. Na terça-feira que se seguiria, comprei o jornal. Lembro-me de, como sempre fazia, ter imediatamente arrancado o encarte com o suplemento, destinado a revelar novos talentos na escrita. Para meu espanto, o artigo vinha integralmente publicado!...embora com uma pequeno erro no meu próprio nome. Em vez de Guilherme da Silva Pereira, aparecia Guilherme Pereira da Silva. Cheguei a casa num alvoroço, como imaginam. Pedi autorização aos pais para ligar para o jornal e cheguei à fala com o Editor, o Roberto, da melhor escola do bom jornalismo que se faz cada vez menos. Não parei mais. ![]() Recordo -me de, comigo, se terem ali revelado por exemplo, o MÁRIO DOMINGOS, também aqui na página, meu companheiro de casa da avó dele em Coimbra e na Universidade, a CRISTINA HORTA e o EDUARDO PITTA. A lista é mais extensa e consta do livro “ A sombra dos dias”, do meu querido Mestre do (bom) jornalismo, o Guilherme de Melo. Fiquei, em Coimbra, correspondente do jornal. Ao longo de décadas de jornalismo, em que fiz a chamada carreira desde estagiário a redactor principal e chefe de redacção (assim se chamava) passaram-me pelas mãos várias gerações de políticos (não só mas também) e levarei comigo, quando chegar o meu dia, segredos que guardo, de Estado inclusivamente, porque a isso me obriga a consciência profissional e, já agora, a educação que tive. ![]() Nelson Mandela, Mário Soares, Lula da Silva, Hugo Chávez, Bil Clinton, Álvaro Cunhal, Gorbacthov,Dilma Roussef, Mota Amaral, Amaro da Costa... minha nossa senhora as coisas que sei e nunca revelarei. Há políticos sérios, ao contrário do que hoje a populaça mais alguma classe média afirmam nos cafés ou na taberna. Na minha lista de amigos no Facebook, estão alguns deles. São exemplos de Políticos que pensam diferente e que admiro pela sua honestidade intelectual e brilhantismo académico. O António Garcia Pereira é um deles. Eu sei que ele incomoda, o que me diverte e fascina em partes iguais. Em 1996, na apresentação de um dos meus livros, consegui o "milagre" ( !) de pôr o Garcia Pereira e o General Vasco Gonçalves, na livraria Barata, em Lisboa, lado a lado e quase sempre pegados, durante o debate sobre o conteúdo do livro. Para não falar já do brilhante advogado que sempre foi e é, também sei que o Garcia Pereira não é nem Homem nem político vira-casacas, e por isso mesmo não faz parte das costumeiras listas de palradores de painel que nos invadem a casa via televisão. Não leiam aqui tique algum de homofobia, por favor….mas eu chamo-lhes os paineleiros. De painel, bem entendido... Outro exemplo. O Narana Coissoró, um histórico do CDS. Culto, esclarecido, arguto, inteligente. Chamo-lhe o “Sábio Narana”. Nunca me vendeu ou tentou impingir recados ou trapaças.Nos espectros políticos da direita e da esquerda, pergunto-me, obviamente indignado, porque razão estes dois Sábios não me fazem companhia nos canais que temos. Sei a resposta. Muitos de vós imaginarão qual seja... Resumo assim: porque no Portugal pós 25 de Abril existe e prevalece uma outra espécie de censura prévia – a do silêncio, tantas vezes, e é o caso, fórmula pérfida de assassinato. Lamento ter que o escrever, mas é verdade. Seis cavalheiros deste país dominam 87,6% da informação que temos, nas TVs, nas rádios e imprensa escrita. De fora, apenas o Estado (isso seria outra história, porventura não menos sinistra!), com a RTP, a LUSA e a RDP e o “Público”, da Sonae. Algumas histórias deliciosas marcam o meu percurso e não quero maçar-vos com elas. Já de férias e bem longe, estou a escrever displicentemente, admito que esteja a ser um chato do caraças, mas quero deixar-vos com duas dessas histórias... Anos oitenta. Eu tinha dificuldade em distinguir um queijo da Serra autêntico de um falsificado. Quem me ensinou foi o Francisco Sá Carneiro, durante a campanha para as Presidenciais (Eanes/ Soares Carneiro), que eu acompanhei como jornalista.Sá Carneiro era, como sabem, Primeiro-Ministro e foi nessa campanha que acabaria tragicamente a sua carreira política e a vida, no ainda não esclarecido acidente de avião em Camarate. Revelei-lhe a minha ignorância, em matéria de queijos. Numa das viagens de campanha, em Seia, Sá Carneiro desafiou-me a acompanhá-lo na viatura oficial para me ensinar o que eu não sabia. Mandou parar o carro na berma da estrada, junto a uma banca onde se vendia o queijo da Serra. Ensinou-me o truque. Aprendi. Não vos conto hoje…a gastronomia fica para outra altura! Saltemos uma décadas...Acompanhei a visita de Cavaco Silva, há um ano, ao concelho de Setúbal, com o meu camarada fotojornalista Luis Neves. A visita de Estado culminaria num almoço, organizado pela Escola de Hotelaria de Setúbal. A Maria João, directora, meteu-me uma cunha: queria uma foto exclusiva com Cavaco Silva, cujo chefe de gabinete, Liberato Nunes, e o próprio Cavaco, comigo acertaram a estratégia. A foto tinha que ser colhida num momento em que os batalhões de fotógrafos estivessem ausentes ou distraídos. Assim foi. A Maria João é alta e, para mais, estava de saltos. Cavaco olhou-a e disse: “Mas a senhora é mais alta do que eu”. E ela: “Senhor Presidente, mas olhe que eu estou de saltos”. - E ele: “Sem problema, eu ponho-me em bicos dos pés”... E assim foi. Nunca publiquei essa foto, que aliás ilustra magistralmente o diálogo divertidíssimo entre os dois. Faço-a agora porque estou bem disposto…e quero deixar-vos, ao menos, com um sorriso… ![]()
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Portugal







Ele era o produtor do programa de rádio em que me estreei. Foi no Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques, e era o “Programa da Lenita”…. Maria Helena Jardim, a titular, digamos assim, desse momento semanal infanto-juvenil.


O António Garcia Pereira é um deles.
Outro exemplo. O Narana Coissoró, um histórico do CDS. Culto, esclarecido, arguto, inteligente. Chamo-lhe o “Sábio Narana”. Nunca me vendeu ou tentou impingir recados ou trapaças.
Anos oitenta. Eu tinha dificuldade em distinguir um queijo da Serra autêntico de um falsificado. Quem me ensinou foi o Francisco Sá Carneiro, durante a campanha para as Presidenciais (Eanes/ Soares Carneiro), que eu acompanhei como jornalista.
Saltemos uma décadas...
