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Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 10:00 GMT+00
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| Escrito por Pedro Laranjeira | |||
| Sábado, 09 Outubro 2010 11:30 | |||
![]() AINDA MORO NO MESMO LADO DA RUA UM MORTO E DOIS VIVOS: CORREU BEM !! Pedro Laranjeira Como todas as coisas na vida, não há nada que só aconteça aos outros, está tudo ao virar da esquina! A minha última (não foi uma esquina, foi uma estrada) virou-se-me com o carro, à saída de uma curva, piso molhado, sem aviso nem hipótese. Ia mesmo a chegar a Vale de Cambra quando o horizonte me entrou pelos sentidos dentro e o mundo deu meia dúzia de voltas (que exagero, foram só quatro!)… Enfim, do acidente resultou um morto e dois vivos: o morto foi o carro, os vivos fomos nós! Como me disse nessa noite o meu querido amigo Magalhães dos Santos: “Pedro, parabéns!”… De facto: conseguimos não bater em ninguém, o carro não incendiou, houve uma porta por onde pudemos sair… e nem sequer partimos nenhum osso: correu tudo bem ! Para além disso, o sítio “foi bem escolhido”. Como mais tarde me disse um oficial da GNR: “Se tinha sido 100 metros mais adiante, era o viaduto e caiam lá em baixo!” Um automóvel parou poucos metros à frente, chamou o socorro e certificou-se que estávamos bem (Obrigado a quem foi, que nem deu para conhecer)… Como tudo quanto ia dentro do carro ficou espalhado por cem metros de estrada… e como eu não sabia que era tão burro, tão burro, a primeira coisa de que me lembrei antes de chegar a ambulância foi de começar a apanhar o que estava no chão e meter no carro, pelos vidros partidos. ![]() Logo a seguir, levei o raspanete da minha vida! Foi assim que conheci a Vera! Chegaram duas ambulâncias, a Fátima foi levada para uma e eu para a da Bombeira-Jornalista-Fotógrafa Vera Tavares (só agora é que sei isto, na altura era uma farda parecida com a do meu filho, que é Comandante dos Bombeiros de Água de Moura, no Distrito de Setúbal) – isso mesmo lhe disse e pedi-lhe que lhe telefonasse a informá-lo… mas só depois de ela me ter imobilizado, todo amarradinho dos pés à cabeça e feito um comboio de testes a tudo quanto funciona (para ver se funciona mesmo) cá por dentro. Fiquei a saber que a minha burrice se devia (desculpas, agora) a 22-9 de tensão arterial – eu, que tenho sempre 12-8, por aí… (o que os acidentes fazem às pessoas!) Depois de tanta coisa que vi como jornalista e outra tanta como pai de um bombeiro, sei reconhecer o que é um trabalho cinco estrelas – e foi isso mesmo que hoje disse à Vera – que o trabalho dela foi de EXCELÊNCIA, pelo profissionalismo, pela simpatia e pela proximidade em calor humano de quem atravessa um momento difícil. São os Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra que estão de parabéns, podem orgulhar-se dos seus quadros - e saberei comunicá-lo ao seu Comandante! Sou acabado de chegar ao Concelho, ainda mal o conheço, mas começo já a descobrir-lhe as pérolas: esta foi uma das primeiras. Depois de a Vera me ter feito os exames todos e estarmos a caminho, pedi-lhe então para telefonar ao meu filho, tratou-o o tempo todo por "Senhor Comandante" e – tal como eu sabia que a primeira coisa que ele lhe perguntaria era pelos meus sinais vitais – ouvi-la comunicar-lhos, numa linguagem que entendo, descansou-me desde logo. Entretanto, até a tensão baixou. Das três e meia da tarde às onze e meia da noite, foi Hospital, já com boa disposição suficiente para tagarelar com o médico a propósito do colar cervical com que agora ando – mas ele deve ter achado que eu tenho ar de cachorro bem comportado e não me mandou usar trela, a coleira bastava! Depois, o regresso à vida no carro de um amigo, com os avisos de quem sabe destas coisas de que “amanhã é que vai doer tudo!” – oh se dói, é bem verdade!... Mas passa! Embora o carro, coitadito, tenha chegado ao fim dos seus dias, a vida continua! No geral, como moro à frente do cemitério, não tenho de que me queixar… uma vez que continuo a morar do mesmo lado da rua!
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AINDA MORO NO MESMO LADO DA RUA
