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Registo Oficial: Revista # 125853 ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social | Depósito Legal: 305455/10 | ISSN: 1647-6174 | Director: Pedro Laranjeira | Origem: Portugal

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1 de Março de 2010

Os 100 Artigos + lidos

  1. PRÓSTATA sem cirurgia
  2. NUDISMO vs NATURISMO
  3. NATURISMO
  4. CÃES PERIGOSOS
  5. Prostituição: carta aberta
  6. 15 Milhões p/NATURISMO
  7. Encontro de Naturistas
  8. Encontro de Naturistas
  9. ESTATUTO EDITORIAL
  10. CTT: UMA VERGONHA !
  11. Deficiência mental...
  12. GRÂNDOLA Vila Morena
  13. Proposta de Lei Naturista
  14. Depoimentos fibromiomas
  15. DISPO-ME EM PÚBLICO
  16. ÚTERO sem cirurgia
  17. Charros SIM Tabaco NÃO
  18. Naturismo no Parlamento
  19. AMOR DE PUTA
  20. 25 de Abril, há tantos anos
  21. Reportagem 25 de Abril
  22. Prostituição: Porta Saída
  23. Alentejo centro do mundo
  24. Professora toda despida
  25. 15M€ FOR NATURISM
  26. "ROADY"... jamais
  27. Eutanásia de «costumes»
  28. "A Senhora de Ofiúsa"
  29. Dieta Bandeira Portugal
  30. Kits Educação Sexual
  31. Encontra-a-Funda na Pica
  32. BULLYING SEM SOLUÇÃO
  33. Votação e Matemática
  34. ESCLEROSE MÚLTIPLA
  35. A POESIA É UMA ARMA
  36. Praia do Barranco
  37. Os veículos dos políticos
  38. A CIGARRA E A FORMIGA
  39. NATURISMO e Políticos
  40. Nova Lei Naturista
  41. (IN)definião de liberdade
  42. Museu Biblioteca
  43. SÃO APENAS SEIOS
  44. PRÓSTATA: NOVIDADES
  45. NUVEM DE FUMO
  46. OS FILMES DO MOMENTO
  47. CRUDIVORISMO
  48. MADEIRA 2010, tragédia
  49. Educação Sexual Escola
  50. QUESTÃO DE BITOLA
  51. PASSEIO NO VOUGUINHA
  52. Lei Naturista 29/94
  53. Uma doença escondida
  54. SIC - Notícia 3.4.2010
  55. DITADURA da Informação
  56. COISAS DO PORTUGUÊS
  57. NÃO, Senhora Ministra !
  58. CHAMO-ME MARTA...
  59. ILHA DE GOREIA
  60. Alhambra Sonho Andaluz
  61. ZECA filho da madrugada
  62. A guerra e os sem abrigo
  63. Educação Sexual
  64. A ARTE DO NU
  65. Lei Naturista 53/2010
  66. ÁGUA, medicina natural
  67. A Professora Bruna
  68. Pedro Laranjeira na RTV
  69. Lei Naturista APROVADA
  70. CARTA de trás da Serra 1
  71. SAÚDE, a maior riqueza
  72. CORAGEM MADEIRA !
  73. INFO ALTERNATIVA
  74. Torna-te naquilo que és
  75. PEC, Bah!...
  76. CGD: despesas de conta
  77. IMPOSTURA GLOBAL
  78. SUBMARINOS
  79. ELEGIA À MULHER
  80. PÃO COM ALMA
  81. Aniversário Pensadores
  82. Cartoon Raim - Evolução
  83. FUNCHAL JAZZ 2010
  84. Demagogia pura e dura
  85. Projecto de Lei Naturista
  86. VENTO DE MUENDE
  87. Frases soltas da crise
  88. AS MENTIRAS DA NET
  89. Cimeira de desarmamento
  90. ROCK IN FÁTIMA
  91. PENSADORES HÁ 4 ANOS
  92. PALMA INÁCIO
  93. Entrevis. Pedro Laranjeira
  94. Ser Diferente, ser Igual
  95. Mentiroso, Coxo, Zé Povo
  96. NA-TURISMO
  97. MOMENTO DE POESIA
  98. CARTA de trás da Serra 2
  99. O Preço dos Combustíveis
  100. CARTOON by Raim - PEC

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Última Actualização

Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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Crónica
Escrito por Pedro Laranjeira   
Domingo, 11 Julho 2010 10:42
Pedro Laranjeira

 O MOTORISTA DA JUNTA


Pedro Laranjeira   

... as surpresas que a vida traz!


Em 25 de Abril de 2004, precisamente trinta anos depois do dia em que viajei Lisboa adentro com a coluna militar do capitão de Abril que abriu as portas que Ary cantou, levei a minha saudosa mãe velhinha a uma viagem a Fátima, que desejou anos antes de eu lha ter dado.

Foi outro dia inesquecíval, a três décadas de distância.

Nesse, não fui jornalista, não estive debaixo de fogo, não vi sangue na roupa de ninguém... fui apenas um filho que não acredita em Fátima a dar a quem me ofereceu a vida algo em que ela acreditava.

Morreu pouco depois, mas a felicidade com que as fotos ma recordam nesse dia, ninguém lha teria podido roubar!

Comigo ficou a memória do seu sorriso, do encanto que lhe encheu as horas, mas também outra, para o pergaminho das páginas que nos fazem a vida, porque nesse dia aconteceu uma coisa extraordinária.

A viagem à cova dos pastorinhos foi uma excursão organizada em S. João da Madeira, um autocarro povoado de cabelos brancos.

Brincámos, trocámos histórias... e a Zaida, vaidosa por não saber que o filho canta desafinado, instou-me para "animar a festa", como é próprio numa excursão de um povo que já pouco bebe da vida...

Lá lhe fiz a vontade; estávamos no norte, nenhum alentejano se ofenderia por me ouvir a estragar-lhe o "Rama ó que linda Rama" e bóra lá, cantámos todos, os versos da tradição e aqueles que fui inventando, ajudado pelo motorista do autocarro.

Como ele não desafinava, consegui convencê-lo a cantar-nos, também, uma coisinha sua...

Ele disse que sim... e eu tive um dos maiores choques que jamais me arrepiou a sensibilidade...

Voz de tenor, firme e sonoro... poderoso!

O nosso silêncio a beber-lhe a música parecia emudecer os camiões da outra faixa da auto-estrada,
lá fora, como se estivéssemos num palco de Viena, nós quarenta a ouvir pelos ouvidos de dois mil amantes da bela arte. A sua música não dependia da cultura de ninguém. Da velhinha analfabeta lá ao fundo, ao psicólogo do grupo, mesmo atrás do banco do condutor, pairávamos num vórtice de sons, de um encanto que nos transportava ao beber de cada segundo, como se a musicalidade se prolongasse para além do tempo que o som vibrava...

Nunca a música me atingiu tão profundamente, me possuiu tão completamente!

Ali, num autocarro de uma excursão para a terceira idade.

Ali, da voz aldeã do motorista de uma junta de frequesia dos arredores.

Cantou, voltou a cantar, cantou de novo... à ida e à volta. Não nos conseguiu mais convencer a perdoar-lhe o silêncio.

Então lembrei-me e pedi-lhe que nos deixasse ouvi-lo num dos mais emblemáticos sons da música que toda a gente conhece: "Ouça, amigo, não sai desta sem nos cantar o "O Sole Mio"... nem pense!" 

Ele sorriu e fez o inesperado: explicou que "essa" era uma ária que não podia ser cantada ao volante de um autocarro... "mas sim, tenho todo o gosto!" 

Entrou numa área de serviço, estacionou entre as árvores, pôs-se de pé, virou-se para nós... e cantou "O Sole Mio".

Muitos quilómetros de vida ensinaram-me a disfarçar... e ninguém percebeu as lágrimas que consegui esconder... mas só eu sei o turbilhão que se apoderou de mim!

As coisas que a vida nos dá!

Um homem que não está gravado, que não tem CDs... que ninguém conhece!

Chama-se José Luis Oliveira, é conhecido por Luis Paranhos.

O motorista da junta de freguesia de uma aldeia do interior!...

Foi um dia eterno... uma tarde de encanto!




 

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