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1 de Março de 2010Os 100 Artigos + lidos
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Última Actualização
Última Actualização: Quinta, 17 Maio 2012 - 09:00 GMT+00
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| Crónica | |||
| Escrito por Jorge Castro | |||
| Sexta, 30 Abril 2010 15:00 | |||
![]() ![]() Entre visitas papais, pontes a mais e outras coisas anormais Jorge Castro Pelo meio de todas estas virtualidades pouco ou nada virtuosas, onde nos fica a problemática da couve portuguesa? Sim, isso mesmo, aquela que nos enriquece o cozido. É que à força de ouvir tantos gurus do mercado a venderem a nova (?) banha-da-cobra, sem açúcar nem afecto, desestabilizando-nos o dia com o tormento da catástrofe de bancarrotas anunciadas dia-sim, dia-não, dou por mim sem saber se o nosso querido cozido à portuguesa há-de levar a bela couvinha ou, pelo contrário, face à crise não será de o fazer acompanhar, por monomania dos tais imperativos de mercado, com o movimento bolsista, ou com um novo diktat de uma qualquer agência especializada em rating…Porventura menos substanciais, mas muito mais pràfrentex. Para cultura geral mais terra-a-terra sempre se esclarece que o termo rating, como é bom de ver, pode radicar no termo inglês rat, (em latim, rattus, e, em português, ratazana), animal roedor, promíscuo e omnívoro que, urbanamente, tem especial predilecção para habitar nos esgotos. Não sei se se lhe há-de chamar a «economia real» ou outra qualquer coisa - que nisto de baptizados o que mais há é padrinhos na penúria, ainda que cheios de ideias – mas o facto é que neste mundo alucinado em que se cultivam alimentos em excesso, se pescam alimentos em excesso – quase tudo desperdiçado em excesso, também –, e onde, pelo menos em boa parte dele, se consomem alimentos em excesso, não apenas vivemos com alguma esquizofrenia sob a ameaça do omnipresente espectro da fome, como nos viramos todos do avesso para saber como cultivar mais, como pescar mais, como comer mais. Nesta aparente contradição onde, sem contradição nenhuma que lhes valha, milhões morrem, por dia, de fome e na carência de quase tudo, nós cá do lado da sociedade da abastança, principalmente porque nos situamos na sua franja, vamos volitando, quais baratas tontas ou traças ofuscadas pela luz, em redor dos anacronismos que os nossos pobres (?) políticos nos vão impingindo, anacronismos a que nem a santa madre igreja se furta. Entre TGV e aeroportos e autoestradas e demais desvarios quejandos, havíamos agora também de ter uma visita papal, coisa que deve ser de superior monta e oportunidade face ao despautério de tolerâncias de ponto e despesas sumptuárias que estão e irão continuar a ter lugar, neste País que nos é anunciado como estando de tanga, de rastos e na eminência (não de Sua Eminência) no limiar do suicídio.Enfim, com o beneplácito desta magnífica língua portuguesa, lá se dirá que com papas e bolos se enganam os tolos. Já me lembrei que fosse para remissão de pecados dos nossos governantes… Mas isso também não nos dá de comer, caramba! Auguro, tão só, que cada um dos muitos penitentes que rumarem às Fátimas das nossas incertezas e inseguranças, para além de elevarem o pensamento aos céus, se lembrem de fazer descer à terra um só pensamentozinho, uma singela reflexão, por um breve momento que seja, num olhar atento às aldrabices em que vamos sendo todos cúmplices e pagantes – mais uns do que outros, claro –, e tentem descortinar o que cada um possa fazer para inverter tal estado de coisas, através dos milagres da cidadania e da participação. Que tal plantarmos todos a couvinha e deixarmo-nos de folestrias (que, para quem já não se recorde, é outra forma de nos referirmos a brincadeiras ou palhaçadas)? É o mundo globalizado que não deixa? Mentira! O dólar é que não deixa… e o euro também não ajuda nada. O resto são lérias para iludir pacóvios. ![]() Mas a couvinha, no nosso rico cozido, isso é que é coisa fina e digna de apreço, olaré se é…! Nem o cozido parece o mesmo se lhe retirarmos a bela e suculenta couve. Convenhamos, ainda, que se a crise famigerada levar a que tudo desapareça nas estantes dos supermercados, nos restará a couvita para ir roendo, enganando apetites e aguardando novos tempos. Claro que nisto das metáforas nem o céu é o limite. Estava eu para aqui a magicar que quem fala de couves poderia muito bem estar a falar também de pescas, de calçado, de têxteis, de indústrias metalo-mecânicas… eu sei lá! Mas, no fundo, tudo tem a ver com essa coisa terrível de não se plantarem couves… ou, pior, de se deixarem apodrecer na terra as poucas que se plantam, pois desde que haja um eurito à mão, ainda que emprestado, sempre se compra a couve ao vizinho e poupa-se uma data de trabalhos no amanho da terra.
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Portugal







É que à força de ouvir tantos gurus do mercado a venderem a nova (?) banha-da-cobra, sem açúcar nem afecto, desestabilizando-nos o dia com o tormento da catástrofe de bancarrotas anunciadas dia-sim, dia-não, dou por mim sem saber se o nosso querido cozido à portuguesa há-de levar a bela couvinha ou, pelo contrário, face à crise não será de o fazer acompanhar, por monomania dos tais imperativos de mercado, com o movimento bolsista, ou com um novo diktat de uma qualquer agência especializada em rating…
Entre TGV e aeroportos e autoestradas e demais desvarios quejandos, havíamos agora também de ter uma visita papal, coisa que deve ser de superior monta e oportunidade face ao despautério de tolerâncias de ponto e despesas sumptuárias que estão e irão continuar a ter lugar, neste País que nos é anunciado como estando de tanga, de rastos e na eminência (não de Sua Eminência) no limiar do suicídio.
